Vendas de defensivos agrícolas crescem 14,8% no bimestre
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terça-feira, 21 de março de 2000
Por Jander Ramon 
São Paulo, 22 (AE) - O mercado de defensivos agrícolas registrou um crescimento de 14,8% no primeiro bimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento do Sindag (Sindicato Nacional da Indústria de Defensivos Agrícolas). Nos dois primeiros meses do ano, o setor faturou US$ 169,54 milhões, contra os US$ 147,68 milhões verificados no mesmo período de 1999.
Na comparação entre os meses de fevereiro de 1999 e de 2000, houve um aumento de 16,2% nas vendas. De acordo com as empresas do setor, o crescimento das vendas neste ano já era esperado, uma vez que o faturamento em 1999 foi fortemente atingido pela desvalorização do real e pelo período de seca, que atrasou a safra daquele ano. Em 1999, foram arrecadados US$ 2,34 bilhões com as vendas de defensivos agrícolas, uma retração de 8 8% em relação aos US$ 2,57 bilhões registrados em 1998.
Os fabricantes de defensivos agrícolas afirmam que o mercado começou a reagir, mas continua distante dos volumes registrados em 1998. Segundo o Sindag, as vendas do primeiro bimestre de 2000 foram 25,2% menores do que as do mesmo período de 1998. "O crescimento será mantido dentro de um volume estável", afirma Cristiano Walter Simon, presidente da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), entidade que congrega as multinacionais do setor, detentoras de 85% do mercado brasileiro.
Reação - A reação nas vendas de defensivos nos dois primeiros meses deste ano se deve, de acordo com as indústrias, à absorção pelos agricultores e pelo mercado dos efeitos da desvalorização do real, à renegociação das dívidas com distribuidores e agricultores, à expectativa de aumento de áreas plantadas de alguns produtos, além da melhora de alguns preços.
Em relação ao faturamento do setor neste ano, o otimismo não é um consenso entre as empresas. "Levando-se em consideração as vendas dos dois primeiros meses do ano, a expectativa é de que o mercado atinja o mesmo patamar de 1998, com um faturamento de US$ 2,5 bilhões", afirma Fernando Gallina
gerente de Marketing da Zêneca Brasil Ltda. Esta opinião é compartilhada com o presidente da Andef, Cristiano Walter Simon.
O diretor-superintendente da Sipcam Agro S/A, Fernando Retondo, acredita que o mercado deve repetir os mesmos valores de 1999. "Dentro de uma normalidade, deveremos atingir US$ 2,34 bilhões em vendas", diz. Já o diretor-geral da divisão Agroquímica da Novartis Biociências S/A, Maércio Rezende, alega que o primeiro bimestre representa de 5% a 7% do total de vendas do mercado anual. "Não houve mudança na disponibilidade de crédito para o agricultor e, por isso, não temos expectativa de crescimento do plantio." No ano, a Novartis projeta crescimento de "5% a 7% em comparação ao faturamento do ano passado. Não acreditamos que os números de 1998 sejam atingidos".
Financiamentos em real - "A indústria de defensivos continua assumindo o papel de financiadora dos produtores", afirma Rezende. As empresas do setor dizem que, com a normalização do câmbio, o risco de inadimplência verificado no ano passado foi amenizado. "O mecanismo de reajuste dos contratos deixou de ser em dólar (63 caipira) para ser em real"
explicou.
"O risco de inadimplência foi amenizado com a mudança do sistema, mas o risco continua alto em função da falta do crédito agrícola ao produtor." O presidente da Andef afirma que
em função de critérios mais rigorosos, da redução dos prazos para pagamento, e pelo fato de os agricultores terem reduzido os estoques de defensivos, houve uma queda acentuada do risco de inadimplência. "O mercado está mais disciplinado", afirma Simon.
"No ano passado, os produtores foram surpreendidos. Agora, com as novas condições, a situação está estável", afirma Fernando Rotondo, da Sipcam Agro S/A. A aposta do setor neste ano é o crescimento de algumas culturas e a manutenção das áreas de plantio de outras. A cana-de-açúcar, por exemplo, é considerada como uma das molas propulsoras do mercado de defensivos.
Rotondo lista uma série de fatores para o crescimento do produto: "Os preços no mercado externo estão melhores; com a desvalorição do real, aumentaram as exportações de açúcar; além disso, com o preço do petróleo batendo valores recordes no exterior, a cana sai muito beneficiada, pois 24% da gasolina brasileira tem adição de álcool". "Certamente haverá crescimento no mercado de herbicidas."
Algodão promete - O algodão é outra cultura que vem merecendo atenção maior por parte dos fabricantes. "Haverá a continuidade do deslocamento do plantio para a região Centro-Oeste no País. O mercado interno possui uma demanda muito alta e o algodão nacional possui potencial para atingir a auto-suficiência", explica Maércio Rezende.
O mercado acredita também em um bom desempenho do milho. "O preço deve aumentar e, com isso, a área plantada também", afirma Fernando Gallina, da Zêneca Brasil. "Um sintoma é a área de cultivo do milho na safrinha", afirma Simon. Além disso, neste ano "não haverá a presença de milhos transgênicos provenientes da Argentina e dos Estados Unidos em função da legislação brasileira, que proíbe a venda desse tipo de produto no País", lembra Fernando Rotondo. "O Brasil será forçado a ser auto-suficiente neste setor."
Um dos aspectos preocupantes em relação ao milho safrinha é o atraso de 30 dias no plantio na região Sul, por causa da seca. "Existe possibilidade de geada. O risco está alto", afirma Fernando Rotondo, da Sipcam Agro S/A. "A safrinha vem se firmando como uma cultura importante numa época de transição", diz Simon, da Andef. Segundo o presidente da entidade, "a safrinha está assumindo importância na região Sul do País, em detrimento do trigo". "Os resultados vistos na região Norte são animadores.
A safrinha poderá capitalizar os agricultores, além de movimentar um pouco o mercado", diz Gallina, da Zêneca Brasil. "O problema é o risco deste tipo de cultura." Apesar de projetarem queda no preço da soja, as empresas acreditam na manutenção das áreas de plantio. "O custo do plantio da soja é menor do que o do milho e os agricultores devem pensar duas vezes antes fazer qualquer substituição", afirma Rotondo.
O café, mesmo com a queda de preços no mercado externo, é outra cultura que anima. "Os produtores estão investindo em tecnologia, e, no futuro, haverá expansão do setor", diz Rotondo. O pessimismo está concentrado na citricultura. "Há muito suco de laranja estocado e, se o preço melhorar, não vai ser muito", afirma Maércio Rezende, da Novartis.


