Brasília, 20 (AE) - As vendas realizadas no período da Páscoa deverão contribuir para melhorar o faturamento dos supermercados - que ainda estão registrando, no primeiro trimestre deste ano, um desempenho 3,06% inferior ao que foi apurado em igual período de 1999. A informação foi dada hoje pelo presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, que apresentou estudo sobre as vendas do setor no mês de março. "As perdas acumuladas no primeiro trimestre estão sendo reduzidas, o que cria uma expectativa de que haja uma crescimento do faturamento setor até o fim do ano."
Dados preliminares relativos às vendas do mês de abril mostram uma elevação no faturamento dos supermercados da ordem de 5%, se comparado ao mês anterior. Essa retomada, afirmou Araújo, vai fazer com que o resultado global do quadrimestre seja 0,8% menor do que nos primeiros quatro meses do ano anterior. Além disso, ressaltou, indica recuperação nas vendas, o que pode garantir faturamento superior ao registrado no ano de 1999, de R$ 54,6 bilhões. Em 1998, os valores apurados no setor foram de R$ 55,5 bilhões.
"O mês em que está a Semana Santa só perde em vendas para dezembro", afirmou. "Mas, tirando os efeitos sazonais, as vendas estão nos mesmos patamares que em 1999 e isso é positivo porque mostra que vamos ter uma recuperação contínua até o fim do ano e podemos até ultrapassar os valores obtidos em 1998." Segundo o presidente da entidade, estão contribuindo para a melhoria do desempenho do setor a redução das taxas de juros - atualmente em 18,5% -, a queda dos níveis de desemprego e o aumento da renda dos consumidores, que Araújo atribuiu à elevação do salário mínimo de R$ 136,00 para R$ 151,00 - que começa a ser pago a partir de maio. Inflação - Araújo negou que exista possibilidade de um repique dos preços, em função do repasse dos efeitos da desvalorização do real.
Esses aumentos, segundo explicou, estão represados desde o início do ano passado. Segundo o presidente da Abras, após a desvalorização do real, ocorrida em janeiro de 1999, o setor varejista segurou a alta dos preços dos produtos ocorrida no atacado, negociando com os fornecedores os percentuais de aumento nas tabelas de venda. O resultado, disse, foi a criação de uma "bolha" de reajustes reprimidos.
"As empresas terão de se adaptar a essa nova situação sem que seja preciso repassar os aumentos, porque um reajuste de preços agora resultaria na queda de unidades vendidas, o que é péssimo para o setor", alertou.
Agora, afirmou o presidente da Abras, toda a cadeia e, principalmente, os supermercados, terão de procurar aumentar os ganhos com eficiência para reduzir os custos, que são fixos.
Araújo acrescentou que a manutenção da cotação média do dólar em R$ 1,75 favorece a estabilidade de preços. No início deste ano, lembrou, quando a moeda americana estava custando R$ 1,85, havia uma pressão da indústria para o repasse aos preços. Mas, como a cotação baixou, "o mercado se acalmou".
A maior pressão por reajustes por causa da valorização do dólar vem dos fornecedores de produtos de higiene limpeza, que representam 12% em média das vendas dos supermercados. "Esse é um setor muito sensível às oscilações do câmbio porque a maioria da matéria-prima usada é importada", explicou. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1

mockup