Vendas da Páscoa caem 23% e frustram comercianetes
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domingo, 04 de abril de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 05 (AE) - A Páscoa, a primeira data comemorativa de peso para o comércio neste ano após a desvalorização cambial, não foi capaz de impulsionar as vendas. Segundo a Associação comercial de São Paulo (ACSP), o movimento do comércio nesta Páscoa foi 23% menor em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com as consultas para venda à vista e a prazo medidas pelo Telecheque e o SPC, respectivamente.
Pesquisa preliminar da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fcesp) revela que o faturamento global do comércio nesta Páscoa teve retração de 8,82% em relação à mesma data 1998
com queda em todos os segmentos, segundo avaliação dos lojistas. "Esse dado é consistente com a conjuntura porque todos os países que tiveram uma ruptura cambial não escaparam da recessão", afirma o economista da ACSP, Emílio Alfieri.
Sondagem da Fcesp, realizada na Região Metropolitana de São Paulo com empresários, revela, por exemplo, que as lojas de departamento venderam 11,75% menos, as de vestuário -7,5% e as de calçados -5% em relação à Páscoa de 1998. Até os supermercados, que são os estabelecimentos comerciais mais beneficiados com a data, registraram queda de venda, de -6,40%, segundo a pesquisa da entidade.
"O consumidor está com menos dinheiro no bolso e mais critério no consumo", diz o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Huberto Pires de Araújo. Um levantamento preliminar realizado pela associação em dez capitais revela que as vendas de ovos de chocolate foram equivalentes às do ano passado, o que contrariou a expectativa da Abras de queda de 5%. Na análise do empresário, o resultado só foi melhor que o esperado por causa das promoções de última hora. "Sábado o movimento foi excepcional."
Como as vendas da Páscoa ficaram concentradas nos últimos dias, o que acabou beneficiando o desempenho de abril, o faturamento do primeiro trimestre ficou prejudicado. Os supermercados fecham o primeiro trimestre repetindo as vendas de igual período do ano passado, diante de uma expectiva que era de crescimento. Com isso, explica Araújo, a entidade já reviu as projeções para o ano que eram de empate e agora sinalizam queda de até 2% na receita em relação a 1998.
Para o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Omar Assaf, o calor atrapalhou as vendas de ovos de chocolate, que repetiram nos supermercados paulistas o desempenho do ano passado. "As vendas foram boas, mas sobrou produto", afirma Assaf. Ele argumenta que as sobras, que oscilam entre 5% e 10%, dependendo do estabelecimento, ocorreram porque as indústrias produziram um volume 7% maior que na Páscoa de 1998.
É que a indústria, explica Araújo, projetou a produção em julho do ano passado e não contava com as mudanças no cenário macreconômico. Com isso, foi surpreendida e teve de fazer promoções para desencalhar mercadorias. "Baixamos os preços na quarta-feira", diz o diretor de Marketing da Lojas Americanas, Paulo Humberg. A empresa, que sozinha detém 37% do mercado de ovos de Páscoa, acredita que tenha conseguido vender cerca de 14 milhões de unidades, 8% a mais do em 1998.
O Pão de Açúcar informa que teve sobra de produto, mas que esse era o excedente previsto, uma espécie de reserva técnica. Considerando o mesmo número de lojas, com as bandeiras Pão de Açúcar e Extra, o grupo cresceu em 8% o faturamento com ovos de Páscoa. O Carrefour também ainda não tem um balanço das vendas, mas informa que atingiu a meta: crescer em 20% os volumes vendidos.
Nos shopping centers, houve uma ligeira reação nas vendas no primeiro fim de semana de abril em relação ao último de março por conta da Páscoa e da entrada da nova coleção, diz o presidente da Associação dos Lojistas de Shopping, Nabil Shayuon.
Levando-se em conta apenas os produtos de Páscoa, ele acredita que o faturamento deste ano foi igual ao de 1998. Em março, as vendas caíram 10% em relação a igual período do ano passado nos shoppings.


