Vendas da indústria tiveram aumento de 7,26% em agosto
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quarta-feira, 13 de outubro de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 14 (AE) - As vendas da indústria brasileira tiveram um aumento de 7,26% em agosto, recuperando-se da queda de 1,38% ocorrida em julho. Estes dados foram divulgados hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e indicam ainda que pelo terceiro mês consecutivo o nível de emprego teve um pequeno aumento. A CNI constatou que as vendas do setor foram 3 06% maiores em relação às verificadas no mesmo mês do ano passado, o que indica recuperação do nível de produção anterior à moratória russa de agosto de 1998.
"Nossa avaliação é positiva e os dados mostram que estamos em uma boa direção", afirmou o presidente da CNI, deputado Carlos Eduardo Moreira Ferreira (PFL-SP). A retomada da recuperação, alertou Ferreira, deve ser encarada com cautela, ainda que aponte para uma reversão na queda da atividade industrial. "Não estamos em um boom de crescimento, a recuperação é moderada e ainda temos dificuldades para que haja plena recuperação das vendas", disse.
Com o desconto do ajuste sazonal próprio do mês de agosto, que inclui, por exemplo, o incremento da produção no início do segundo semestre com vistas ao fim de ano e o fato de o mês ter 31 dias sem feriados, o crescimento real das vendas foi de 3,4%. Este aumento em agosto compensa a queda de 3,1% verificada em julho. Segundo a CNI, este indicador "é o mais elevado desde outubro de 1997", quando foi deflagrada a crise asiática.
No acumulado do ano, porém, o faturamento da indústria ainda apresenta uma queda de 2%. O mercado de trabalho industrial também não aponta para uma melhora significativa, mas demonstrou que se mantém estável. O indicador de emprego em agosto aumentou 0,28%, a terceira alta mensal consecutiva. Em junho foi de 0,11% e em julho de 0,18%. Em relação a agosto do ano passado, porém, houve uma queda de 6,08% no nível de emprego e o acumulado do ano também é negativo, chegando a 6,81%.
"Ainda não conseguimos recuperar como gostaríamos o nível de emprego", disse Moreira Ferreira. Outros indicadores positivos do mês foram as horas trabalhadas na indústria que tiveram um crescimento de 0,85% em relação a julho e a utilização da capacidade instalada que também teve um aumento de 0,6 ponto percentual sobre o mês anterior. A massa salarial em agosto teve também uma queda de 0,33%, com redução do salário em sete dos 12 Estados.
A perspectiva para o final do ano, segundo o presidente da CNI, é positiva "desde que permaneça o ambiente de queda de juros". Os indicadores de setembro, segundo ele, devem se manter estáveis, mas no último trimestre a atividade industrial poderá se equiparar aos resultados de antes da crise asiática de 1997.
As medidas econômicas anunciadas na semana passada, que impedem o desconto do aumento da Cofins na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), poderão ter efeito negativo no final do ano. "A medida trará perda de competitividade e aumento de custos para a empresa", disse Moreira Ferreira. "Como elas passam a vigorar a partir de fevereiro, terá reflexos nas decisões de investimentos dos empresários." Dez dos doze Estados acompanhados pela CNI tiveram aumento no faturamento industrial. As taxas mais elevadas do crescimento da venda das indústrias foram verificadas em São Paulo (8,97%) e no Espírito Santo (12,18%).
Em São Paulo, este aumento deve-se à base reprimida do mês anterior e ao aumento das vendas do setor metalúrgico e material de transporte. No Espírito Santo, a razão do crescimento foi a exportações do setor de metalurgia, beneficiada pela desvalorização cambial. Somente Ceará e Pernambuco tiveram queda no faturamento industrial.


