São Paulo, 14 (AE) - O presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, projeta um crescimento expressivo das vendas do comércio neste fim-de-ano em função das medidas relativas ao crédito anunciadas hoje. Até agora, era esperado um crescimento de 4% a 5% nas vendas em relação a 1998. Agora, deve chegar a 7,5%.
De acordo com Burti, 60% a 65% das vendas do comércio de São Paulo são a prazo. Metade dessas operações seria feita com o uso de cheques especiais pré-datados. À medida que a taxa Selic cai, as vendas do comércio sobem. Nos últimos dois meses, com as quedas consecutivas dos juros, as consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito subiram 10%, segundo a Associação.
"É um sinal positivo de que o governo começa a olhar para baixo, para o balcão e o consumidor", disse Burti, que viu o anúncio como "uma guinada" do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o presidente da entidade, além do aumento de vendas, o comércio de São Paulo deverá também reiniciar o processo de contratações.
De todas as mudanças anunciadas, Burti disse que a "mais positiva" para o comércio é a decisão do Banco Central de coletar informações dos bancos para divulgar um "ranking" das taxas de juros cobradas nos cheques especiais e cartões de crédito. "Agora, além de pesquisar o preço das mercadorias, o consumidor vai pesquisar as taxas dos bancos", disse, apostando no aumento da concorrência entre os bancos e, consequentemente, queda dos juros. Além da queda de juros, Alencar Burti acredita também que as lojas poderão alongar o prazo dos financiamentos à medida que a inadimplência deverá cair, com a própria queda dos juros. Hoje, o prazo médio para bens de consumo duráveis é de nove meses e poderá aumentar para doze meses. Até mesmo, o prazo de venda dos automóveis deverá crescer com as medidas, segundo Burti.

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