Vendas até 20% maiores com incentivo à renovação da frota
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domingo, 19 de março de 2000
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 20 (AE)- Projeções do setor de resinas termoplásticas mostram que, caso o incentivo do governo à renovação da frota saia nos próximos dois meses, o impacto na venda de plásticos para o setor automobilístico será de 15% a 20% maior do que o resultado estimado para este ano, quando não havia perspectiva do estímulo. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) calcula que a indústria brasileira deverá produzir 1,5 milhão de unidades. "Com o incentivo à renovação, o número poderá saltar para 1,7 milhão a 1,8 milhão de carros. Cada automóvel contém 80 quilos de plásticos em peças e componentes", informa o diretor comercial de plásticos de engenharia da Dow Química para a América Latina, Roberto Noronha Santos.
Sem o incentivo, a indústria de resinas termoplásticas projeta vendas de 120 mil t para o setor automobilístico, este ano, o que representa crescimento de 15% sobre as 104 mil t comercializadas em 1999. "Já, se a medida do governo sair em breve e não em novembro, por exemplo, poderemos vender 144 mil t e o incremento será de 38% em comparação ao ano passado", contabiliza o executivo da Dow. No ano passado, o setor automotivo produziu menos de 1,3 milhão de unidades, registrando queda de 20% na produção comparativa a 1998.
"De qualquer forma, o ano começou relativamente bem", ressalta Roberto Noronha Santos. Só em fevereiro, a indústria petroquímica vendeu 15% a mais em plásticos para o setor automotivo do que no mesmo mês de 1999. A relatividade, segundo Noronha, fica por conta de que este fevereiro teve 29 dias sem Carnaval. Enquanto o do ano passado teve 28, intercalados com as festas de Momo. "Mesmo assim, o resultado foi muito melhor do que o anterior", avalia.
Incerteza O diretor de relações institucionais da OPP Petroquímica, Alexandrino de Alencar, prefere esperar que o governo dê o sinal verde à renovação de frota. Para ele, o que dá sustenção à produção não é propriamente o incentivo, mas o acesso ao crédito. "No momento em que o incentivo for aprovado, as montadoras entrarão em contato com seus fornecedores e aí poderemos saber se haverá impacto em nossas vendas ou não", diz. Para isso, Anfavea e governo federal terão que chegar à definição sobre o número de veículos a ser produzidos este ano.
A entidade fala em 1,190 milhão de unidades, enquanto o governo quer comprometimento da indústria para a fabricação de 1 350 milhão de carros. Resolvido o impasse, o poder público promete desconto de R$ 700,00 na cobrança do IPI, como parte do bônus de R$ 1.800,00 a quem der o carro velho para o sucateamento - redução do ICMS em até R$ 500,00 e desconto das montadoras e revendedoras até R$ 600,00.


