Buenos Aires, 31 (AE) - A agropecuária foi o principal setor exportador argentino atingido pela crise brasileira ao longo do ano passado. Segundo a Subsecretaria de Agricultura, as vendas para o Brasil caíram de US$ 2,763 bilhões, em 1998, para US$ 1 724 bilhão, em 1999. Esta queda de 38% teve grande impacto na Argentina, país onde pouco mais de 50% das vendas ao Brasil consiste em produtos agropecuários.
As hortaliças foram as principais vítimas da queda das vendas ao Brasil: suas exportações despencaram 66,08%. Em 1998, o setor havia vendido ao sócio do Mercosul US$ 280 milhões, mas em 1999, foi somente de US$ 100 milhões. O setor de frutas tampouco ficou incólume: caiu 50,24%, passando de US$ 150 milhões para US$ 72 milhões em 1999.
Esta queda está causando o colapso de diversas províncias cujas economias tinham um grau de alta dependência da venda ao Brasil, como é o caso de Mendoza. A queda de 31% nas vendas de algodão também afetou economias provinciais, como o caso das paupérrimas Formosa e Chaco.
As tradicionais carnes argentinas também perderam espaço nas mesas brasileiras: as vendas desse produto caíram 49,36% em 1999
em relação ao ano anterior. Farinhas e derivados reduziram seus envios ao Brasil em 40,3%. Gorduras e óleos animais e vegetais tiveram uma queda de 51,9%.
Os produtos lácteos foram duramente atingidos pela crise brasileira, mas de uma forma peculiar: de forma geral, tiveram uma diminuição de 8,4%, mas alguns produtos específicos, como o leite em pó, puderam aumentar suas vendas em 50%. No entanto, para poder continuar vendendo ao Brasil, os produtores argentinos resignaram-se a reduzir abruptamente os preços, e desta forma, o faturamento caiu 20%. Mas os produtores, associados no Centro da Indústria do Leite (CIL), consideram que os preços estão começando a melhorar, e apostam em um novo crescimento da economia brasileira.
Também estão entusiasmados os produtores de cereais, já que devido à seca no Brasil, esperam que o 2000 seja um bom ano. Os mais otimistas são os produtores de milho, que calculam que suas vendas ao mercado brasileiro poderiam ultrapassar a costumeira quantia de um milhão de toneladas, e chegar até 2 milhões de toneladas. O setor do trigo também festeja, pois verificou que as compras brasileiras de trigo argentino passaram de 500 mil toneladas por mês para 600 mil toneladas. Entre 1998 e 1999, a venda de cereais ao Brasil caiu 30,7%.

mockup