Venda é proibida para o público
Curitiba - O Cytotec surgiu no mercado farmacêutico há cerca de 20 anos para o tratamento de algumas doenças estomacais, como gastrites erosivas. Segundo a gastroenterologista e presidente da Sociedade Paranaense de Gastroenterologia e Nutrição, Heda Amarante, a medicação foi retirada do mercado porque, ao longo do tempo, percebeu-se que a substância misoprostol causa contração uterina, acarretando no aborto. Hoje, no Brasil, o remédio não pode ser mais vendido para o público.
Atualmente, o Cytotec é usado somente em casos de óbito fetal intra-uterino (quando o bebê morre no útero da mãe e precisa ser retirado) ou de aborto retido (a mulher aborta, mas o embrião não sai do útero). A ginecologista e obstetra da Maternidade Santa Brígida, em Curitiba, Odete Lemos, diz que alguns médicos usam o medicamento quando a mãe começa a ter contrações, mas elas são fracas, dificultando o nascimento. ''Nesse caso é uma dosagem muito pequena. Eu, particularmente, prefiro não usar porque o excesso de contrações diminui a oxigenação do bebê.''
A falta de oxigenação pode ser, portando, uma das consequências do parto induzido pelo Cytotec. Além disso, Odete explica que, com o uso do remédio, o útero fica dilatado por mais tempo, havendo risco de hemorragia para a mulher. Sobre as consequências de um parto prematuro, como apareceram em alguns prontuários recolhidos pelo Ministério Público, o pediatra Luiz Fernando Rodrigues explica que a criança pode ainda não estar madura, acarretando em uma série de problemas, principalmente na parte respiratória.





