Venda de vistos derruba cônsul paraguaio em Foz
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quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
O governo paraguaio demitiu o cônsul paraguaio em Foz do Iguaçu, Carlos Avalos Flores, e suspendeu o vice-cônsul Fernando José Corvalán Irún por 90 dias. Eles foram destituídos depois do resultado de uma investigação feita pelo Ministério das Relações Exteriores apontando que os dois estavam envolvidos na emissão de vistos ilegais para o Paraguai.
O Itamaraty está levantando as nacionalidades das pessoas que foram beneficiadas com o esquema, mas já existem indícios que brasileiros e árabes, que já tinham vistos para residir no Brasil, conseguiram autorização para morar no País vizinho.
De acordo com documento enviado pelo Departamento de Assuntos Legais e de Auditoria do Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, assinado pelo auditor José Agústin Fernandez, o ex-cônsul e o seu vice vendiam os vistos. O ministro das Relações Exteriores, embaixador Rúben Melgareko Lazaroni, determinou intervenção no Consulado Paraguaio em Foz do Iguaçu. O órgão assiste a mais de 10 mil brasiguaios por mês.
O decreto presidencial destituindo o cônsul aponta que ele autorizava os funcionários do Consulado em Foz do Iguaçu a emitir vistos. Uma das suspeitas é de que brasileiros conseguiam vistos para adquirir bens no Paraguai, como veículos. Com a cidadania paraguaia, uma pessoa que mora em Foz do Iguaçu pode ter um carro importado com placas paraguaias sem pagamento de impostos brasileiros.
ChinesesEm relação aos árabes, o Itamaraty desconfia que há casos em que libaneses tiveram vistos negados pela Embaixada Paraguaia no Líbano, mas acabaram entrando no Brasil legalmente e, através do Consulado em Foz do Iguaçu, entraram no Paraguai. Avalos vai responder criminalmente pela expedição ilegal de vistos e pela venda de documentos oficiais.
O novo cônsul em Foz do Iguaçu, Alejandro Stumps, disse que é normal a expedição de vistos para pessoas de terceiros países nos consulados paraguaios. Acrescentou, porém, que é preciso investigar os documentos que foram vendidos. A Folha procurou o ex-cônsul, mas ele não foi localizado. Segundo funcionários do Consulado, ele teria viajado para Assunção e já teria levado seus pertences que estavam na sede do Consulado.
O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai vem fazendo investigações em todos os consulados e embaixadas do País. O governo também pretende punir o ex-cônsul paraguaio na China, Geraldo Sosa Arga¤a, acusado de vender vistos em favor de orientais mesmo depois de ter sido demitido pelo mesmo motivo.


