Frankfurt, 15 (AE) - A venda de veículos no Brasil deverá cair 40% em outubro, quando os preços subirão em razão do fim do acordo emergencial e a consequente elevação dos impostos. A previsão foi feita hoje, em Frankfurt, pelo presidente da Delphi na América do Sul, Volker Barth. Ele disse, na apresentação do 58º Salão Internacional do Automóvel de Frankfurt, que existe hoje uma pressão de custos que resultaria em necessidade de aumentar os preços dos veículos em 35%.
À defasagem de 35% soma-se a dependência do setor das peças importadas mais os aumentos de tarifas públicas e de matérias-primas. Segundo Barth, fornecedores e montadoras estão sofrendo praticamente a mesma pressão porque ambos precisam recorrer à importação para 25% das compras. "Somente por conta da desvalorização cambial teríamos que aumentar preços em pelo menos 15%", destacou.
Segundo o executivo, os reajustes de matérias-primas - que ocorreram também na esteira da desvalorização cambial - somam pressão de mais 10% a 15%. Ele acrescenta a isso o custo com mão-de-obra. "Precisamos de recuperação, mas não adianta ajustar preços porque o poder aquisitivo está muito abaixo", completou.
A Delphi representa um dos maiores sistemistas do mundo - denominação dada aos fornecedores de montadoras responsáveis pela fabricação de conjuntos de peças completos. Barth defendeu a fabricação de produtos mais baratos para poder adequar a pressão do aumento de custos ao poder aquisitivo da população que compra carros no Brasil.
Região em crise - Os reflexos da crise no mercado brasileiro na redução de vendas na América Latina voltaram a ser comentados hoje, o segundo dia de apresentação do salão de Frankfurt à imprensa mundial. A América Latina é apontada, junto com a ásia e Leste Europeu, como regiões em que os maiores fabricantes do mundo perderam mercado.
O presidente da associação dos fabricantes de veículos e de autopeças da Alemanha (VDA), Bernd Gottschalk, destacou a situação "desbalanceada" no Brasil, por conta de um rápido crescimento de capacidade de produção de veículos ao mesmo tempo em que o mercado deixa de crescer. Gottschalk, que foi presidente da Mercedes-Benz do Brasil há sete anos, disse que ainda acredita na recuperação do mercado brasileiro a médio prazo. Isto significa algo para daqui a três anos, segundo explicou. O chairman da Delphi, J.T. Battenberg III, classificou de "muito séria" a crise no mercado brasileiro.

mockup