São Paulo, 23 (AE) - A venda de carros e comerciais leves no varejo aumentou 21,3% nos primeiros 20 dias de julho na comparação com igual período do mês passado. Os concessionários venderam 53.570 unidades ante as 44.165 do período anterior.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, admitiu que o aumento da demanda se deve à expectativa de reajuste de preços, em setembro, quando espera o acordo automotivo emergencial.
"As previsões catastróficas começam a me irritar", disse o presidente da Anfavea, referindo-se às declarações de empresários do setor, de que o mercado não estaria reagindo nem com o anúncio de reajuste de preço. Ele não adiantou quanto será o aumento de preços. Os concessionários estão esperando reajustes de 8% a 12%.
A venda no tacado - das montadoras para as redes - nos primeiros 20 dias de julho cresceu também, mas em ritmo menor. Foram distribuídos para os concessionários 53.749 veículos, 3,7% mais do que foi entregue nos primeiros 20 dias de junho.
A Anfavea não dispõe ainda do estoque, mas seus executivos já dão como certo que os níveis baixaram em razão da reação no varejo. No mês passado havia mais de 100 mil unidades paradas nos pátios dos revendedores e das fábricas.
Pinheiro Neto previu que, a prevalecer o ritmo, a venda de veículos este mês somará 120 mil unidades, cerca de 20% mais do que em junho. A área econômica da Anfavea prevê que o mercado total, no ano, poderá chegar até a 1,350 milhão de unidades. No ano passado chegou a 1,5 milhão.
O acordo automotivo emergencial, que congelou preços com impostos reduzidos termina no final de agosto. O governo já avisou que não vai prorrogá-lo. Isso significa que haverá repasse da elevação de impostos e de custos. A partir de então a indústria também estará liberada para fazer demissões.
Exportação - Nos próximos dias, a direção da Anfavea irá ao México para tentar negociar um acordo bilateral prevendo intercâmbio de veículos produzidos no Brasil por outros produtos a impostos reduzidos. Segundo Pinheiro Neto, as montadoras já solicitaram ao ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, audiência para discutir acordo bilaterais com outros países.
Além do México, a indústria automobilística está interessada em fazer intercâmbio com o Chile e a áfrica do Sul.

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