São Paulo, 5 (AE) - A venda de carros e comerciais leves no varejo caiu 3,7% em junho na comparação com o mês anterior. O mercado continuou parado no mês passado. Apesar disso, alguns concessionários registraram aumento no movimento no primeiro final de semana de julho por conta da queda de juros e valorização do veículo usado na troca pelo novo. De maneira geral, o consumidor não demonstra pressa por saber que os preços vão ficar congelados até o final de agosto por força do acordo automotivo emergencial.
No mês passado, os concessionários venderam 96.963 automóveis e utilitários leves, nacionais e importados, segundo dados extra-oficiais da indústria. No mês anterior foram 100.725. O mercado "continuou de lado", conforme disse o presidente da Associação dos Lojistas do Auto Shopping, Mauro Saddi. Ele previu que este mês poderá ser ainda pior por conta do período de férias escolares.
O congelamento de preços até o último dia de agosto também está levando muita gente a adiar a compra. "Carro é um bem cuja compra pode ser facilmente adiada ou antecipada, conforme a conjuntura", destacou o presidente do grupo Projeto, da rede Fiat, Pacifico Paoli.
Usado Apesar dos baixos volumes em junho, o primeiro final de semana de julho animou alguns concessionários. O movimento aumentou um pouco principalmente em razão da valorização do carro usado. Assim que o mercado de carros zero-quilômetro parou os usados "sumiram", segundo o gerente de vendas da Trans-Am, concessionária Chevrolet, Munir Faraj.
Isso provocou a valorização do usado. Assim, as cotações melhoraram na troca pelo novo, o que fez o movimento aumentar. Para o gerente da Convel - loja do grupo Pompéia, da Chevrolet -
Ricardo Romão, muitos estão utilizando dinheiro da poupança para trocar o carro.
Há quem comece a pesquisar preços já com receio de que haja falta de modelos em agosto - o último mês de vigência do acordo emergencial e, portanto, de preços congelados. Segundo Faraj, da Trans-Am, os descontos devem diminuir em agosto na expectativa de novos reajustes de preços. Hoje o mercado trabalha com descontos médios de 6%. Em alguns modelos o abatimento chega a 10%.
Existe ainda a expectativa de que as taxas de juros baixem mais. Grande parte das revendas autorizadas está trabalhando com taxas subsidiadas pelos bancos das montadoras.
Enquanto no mercado os juros mensais para planos prefixados giram em torno de 2,5% a 3,0% nas concessionários é possível encontrar financiamento com taxas de 0,98% e 0,99%. A diferença é subsidiada por força de acordos entre as fábricas, os bancos de montadoras e os próprios concessionários.
Frota - A depender da atual fase de demanda por carros novos, o mercado indica que a procura vai aumentar em agosto - na véspera do fim do acordo emergencial - e parar novamente no último trimestre, quando os preços deverão estar mais altos. A única esperança é que o programa de renovação da frota saia antes disso.
Para Paoli, da Projeto, se a renovação da frota não sair este ano o mercado dificilmente alcançará 1,2 milhão de veículos. Com o programa, poderá chegar a 1,3 milhão. Para o vice-presidente da Ford para a América do Sul, Martin Inglis, a medo do desemprego e os juros ainda altos afugentam o consumidor.

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