Venda de remédios similares cresceu 5% este ano
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quinta-feira, 07 de outubro de 1999
Por Gabriela Scheinberg, especial para a AE 
São Paulo, 08 (AE) - A venda de remédios similares (cópias de produtos conhecidos) cresceu 5% desde o começo do ano no Brasil, de acordo com a publicação internacional da empresa alemã IMS, que faz consultoria para o mercado farmacêutico mundial. Esse dado é sinal de que o consumidor está comprando remédios mais baratos, porque os similares, por não terem marca, não têm embutido em seus preços o custo com propaganda. Nos últimos anos, esse mercado se apresenta estável.
Vários especialistas da área arriscam uma explicação para esse aumento. Para José Eduardo Bandeira de Mello, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), está havendo troca de receitas nas farmácias. Ele informa que não houve aumento de similares no receituário médico. "Se os médicos não estão receitando mais similares, mas há um aumento de vendas, então só pode haver uma resposta: há troca de receitas nas farmácias", diz.
Trocar o produto receitado por outro na farmácia é ilegal. Segundo a Lei de Genéricos, aprovada no começo de fevereiro, não pode haver troca de remédios na farmácia, a não ser que esteja explicitado na receita médica. Só pode haver substituição de um produto de marca por genérico. E, mesmo nesse caso, se o médico não tiver escrito na receita: "Não autorizo substituição".
Confusão - Muitos consumidores confundem similares com genéricos
pois ambos são conhecidos pelo nome da substância ativa. A diferença é que os genéricos terão a sua eficência comprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS). Já os similares existem no mercado há muitos anos e não tiveram sua eficiência testada pelo governo. A agência passou uma resolução no fim de setembro determinando que todos os similares adotem marca no prazo de quatro meses. A medida é uma forma de evitar confusões entre os dois produtos. Fraude - Elisaldo Carlini, professor-titular de psicofarmacologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e ex-secretário de Vigilância Sanitária Nacional, disse que há empresas tentando empurrar similares como genéricos. "Isso é uma fraude tremenda". Ele informa que a troca de remédios na farmácia não dá garantia nenhuma do produto que o consumidor está levando. Para Carlini, a única forma de aumentar o mercado de similares seria investir na propaganda, como é feito pelas empresas que distribuem produtos de marca. "A fatia do mercado depende da força da propaganda".
Ele informa que os laboratórios nacionais são os principais produtores de similares. "Não há pesquisa de novos medicamentos no Brasil", afirma. Carlini ressalta, no entanto, que apenas alguns laboratórios tentam tirar proveito da confusão entre similar e genéricos. "A indústria é ética, mas sempre há bandidos, em qualque setor". De acordo com a Abifarma, os laboratórios nacionais são responsáveis por 29% do mercado, que movimenta R$ 8,5 bilhões ao ano.
O conselheiro da Associação dos Laboratórios Nacionais (Alanac) José Fernando Leme Magalhães também acredita que há troca de receitas nas farmácias. Ele arrisca ainda uma outra explicação: os médicos estão muito confusos e não sabem como prescrever. "Alguns estão receitando pelo nome genérico", afirma. Como não há genéricos no mercado ainda, o farmacêutico dispensa um produto similar.
Para Antônio Barbosa, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal, o aumento da venda de similares é provocado pela maior informação do consumidor, que está começando a perceber que os similares têm qualidade e custam menos que os produtos de marca. "Os pacientes estão perguntando aos médicos como reduzir o custo do tratamento", afirma. Ele apóia a inciativa: "Não podemos deixar que os médicos receitem apenas os remédios mais caros".


