Londrina - Os estabelecimentos comerciais de Londrina que vendem alimentos e produtos naturais rotulados como diuréticos, inibidores de apetite, bons para o controle da pressão e até para o controle do colesterol estão na mira da Vigilância Sanitária da Autarquia Municipal de Saúde. Somente no último semestre, o órgão recebeu 70 denúncias de lojas e distribuidoras comercializando produtos naturais com indicação terapêutica, prática vedada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Neste ano, três farmácias e cinco distribuidoras foram interditadas na cidade, a última delas em operação realizada na última terça-feira, que também resultou na autuação de uma farmácia e da rádio do ex-prefeito Barbosa Neto. O radialista anunciava os produtos ao longo de toda a programação, tendo nos seus ouvintes boa parte da clientela.
Ao todo, a Vigilância Sanitária aplicou 79 multas pela comercialização irregular de produtos naturais em 2014, cuja soma passou de R$ 305 mil. E o gerente municipal do órgão, Rogério Lampe, anuncia uma nova operação, mais profunda, entre o final do ano e início de janeiro, para fiscalizar os mais de 30 estabelecimentos que vendem alimentos naturais na cidade.
"O número de irregularidades no ramo do comércio de produtos naturais vem aumentando muito aqui em Londrina e estão relacionadas principalmente aos produtos que trazem indicação terapêutica, por isso estamos preparando uma operação de verificação dessas irregularidades nos estabelecimentos. A Anvisa proíbe qualquer tipo de comercialização de alimentos naturais com rotulagem de relaxantes musculares, inibidores de apetite, diuréticos etc. Indicação terapêutica tem que ser prevista em medicamento", afirma Lampe.
Além de oferecer riscos à saúde do paciente, que pode se sentir estimulado a trocar o medicamento por um produto natural irregular, a prática também infringe o comércio legal, segundo o gerente da Vigilância Sanitária.
Na operação realizada na última terça-feira, o órgão apreendeu mais de 200 kg de produtos irregulares, entre alimentos naturais em cápsulas e chás proibidos pela Anvisa, e cosméticos. A distribuidora e a farmácia são do mesmo proprietário, que preferiu não falar com a FOLHA. Na distribuidora, segundo Lampe, havia alimentos embalados e rotulados com indicação terapêutica, além de medicamentos manipulados e comercializados sem autorização da Anvisa. O estabelecimento também estaria em más condições de higiene sanitária.
A farmácia foi autuada por vender chás distribuídos pela empresa interditada e comercializar cosméticos sem autorização da Anvisa, uma vez que suas atividades implicam apenas em comércio de alimentos naturais. O dono dos dois estabelecimentos vai responder a processos administrativos e está sujeito a multa de até R$ 20 mil.
"A distribuidora foi interditada até que seja adequada fisicamente e no aspecto burocrático, se não resolver isso está sujeita a interdição definitiva. O dono foi autuado e tem que obter autorização da Anvisa para fazer rotulagem, fracionamento e armazenamento dos produtos", explica Rogério Lampe.
No caso da Rádio Brasil Sul, o gerente da Vigilância Sanitária esclarece que a emissora vinha comercializando alimentos naturais e cosméticos sem autorização da Anvisa. "A atividade de um veículo de comunicação não prevê o comércio de alimentos e cosméticos", justifica Lampe. O ex-prefeito Barbosa Neto, dono da rádio, foi autuado e também responderá a processo administrativo, podendo pagar uma multa entre R$ 500 e R$ 20 mil. A FOLHA não conseguiu localizá-lo em seu telefone celular e deixou recado na emissora, mas não obteve retorno.

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