Venda de micros cai pela metade
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 09 (AE) - A demanda por microcomputadores no Brasil caiu entre 40% e 50% nas últimas três semanas, segundo o diretor-geral da Intel para a América Latina, Christian Morales. Essa queda deve persistir por dois ou três meses em decorrência da alta dos equipamentos, que têm cerca de 95% de insumos importados.
O diretor-comercial da Microtec, Paulo Alouche, admitiu uma elevação de 40% nos preços dos micros. Um equipamento multimídia que custava R$ 1,4 mil passou para R$ 2 mil este mês. O segmento de varejo representa atualmente 15% do mercado brasileiro de micros. Haverá redução também na demanda governamental por causa dos cortes orçamentários.
A Intel e a Microtec doaram nesta terça-feira 30 micros Pentium de última geração ao projeto Clicar, para educação de meninos de rua, da Estação Ciência da Universidade de São Paulo. Morales afirmou que todos os programas de educação e projetos de marketing da Intel no Brasil serão mantidos este ano, apesar da crise. Ele previu que o mercado doméstico deve crescer de 5% a 10% em 1999, muito menos que a média de 20% dos últimos anos.
Já a Microtec está reavaliando as projeções de faturamento para 1999 em decorrência da desvalorização do real. A empresa, subsidiária da americana Vitech, teve receita de US$ 190 milhões em 1998. Alouche avaliou que o impacto negativo da desvalorização do real no segmento de informática será apenas de curto prazo, pelos próximos três meses. Ele disse que a partir do segundo semestre já aposta numa recuperação, assim que o câmbio se estabilizar.
A Microtec vai aproveitar a desvalorização do real para iniciar a atividade exportadora. "Existe uma forte intenção da empresa de atuar no Mercosul", declarou. Mas os investimentos estão temporariamente suspensos. A empresa produz 240 mil computadores ao ano na sua fábrica de Ilhéus (BA) e 50 mil placas por mês.
Segundo maior fabricante de micros no Brasil, a Microtec adotou no final do ano passado uma nova estratégia de negócios, promovendo a venda de soluções completas de informática. Nesse tipo de produto, o impacto da desvalorização do real sobre os componentes importados se dilui bastante com o valor agregado dos softwares, resultando em aumento médio de preço de apenas 10% a 15%.
A primeira área escolhida pela Microtec para oferecer soluções completas é a educacional. A Microtec espera faturar US$ 30 milhões nesse segmento em 1999. Mas são dois tipos de clientes que devem salvar o ano da indústria de informática no Brasil - as empresas exportadoras e as que ainda não adaptaram seus sistemas para a virada do milênio. Segundo Morales, 95% das empresas brasileiras ainda terão que substituir seus computadores para escapar do bug do milênio.


