Um grupo de sanitaristas e profissionais de bancos de leite de hospitais da cidade constatou uma série de irregularidades na venda e embalagens de produtos para lactentes, em Curitiba. Durante um monitoramento feito ontem e na segunda-feira em diversas farmácias, supermercados e lojas da cidade, eles descobriram falhas que vão desde a promoção ilegal de chupetas e mamadeiras até latas de leite em pó com poucas informações nos rótulos. A fiscalização fez parte de um treinamento oferecido pela Secretaria Estadual de Saúde para comemorar a Semana Mundial do Aleitamento Materno.
Segundo sanitarista Maria de Nazaré Mery, coordenadora da atividade, a maior parte dos produtos irregulares encontrados estão sendo vendidos em lojas de R$ 1,99. Nesses estabelecimentos são encontrados objetos para bebês com instruções em inglês e bicos de borracha cuja qualidade foi questionada pelos sanitaristas. ‘‘Essas lojas não estão preparadas para vender esse tipo de material porque não conhecem a legislação’’, disse Nazaré.
A resolução número 32 do Ministério da Saúde regulamenta a divulgação de alimentos e objetos que prejudicam a amamentação materna. Entre as determinações da lei está a proibição de promoções e publicidade desses produtos. Latas de leite artificial para bebês também não podem ser exibidas em vitrines e devem informar, nos rótulos, que a utilização da fórmula depende da orientação de médico ou nutricionista. De acordo com a legislação, as propagandas de leite em pó não podem utilizar imagens de crianças de menos de dois anos.
Maria de Nazaré contou que a lista de produtos e estabelecimentos irregulares será repassada para a Vigilância Sanitária, Procon ou Promotoria. Antes, a Rede Ibsan – organização não-governamental mundial que defende o aleitamento materno, irá analisar os resultados do monitoramento. A sanitarista, que também é coordenadora da ONG em Curitiba e região, preferiu não divulgar o nome das marcas e das lojas monitoradas.
Fonte exclusivaApenas quatro em cada dez bebês da região de Cascavel, na faixa etária até 6 meses, têm a amamentação como fonte exclusiva de alimentação. A Semana Mundial do Aleitamento Materno quer estimular o aleitamento materno através de encontros com mulheres que são orientadas sobre o ‘‘direito e o dever’’ de amamentar seus bebês.
As mães que trabalham fora têm direito a horário especial, nos seis primeiros meses, para amamentar os bebês. Em 25 municípios da área da 10ª Regional de Saúde, com sede em Cascavel, dos 7.564 que estão naquela fase, 40,99% estão recebendo exclusivamente o leite materno, e 42% o têm como alimento predominante, segundo a Regional.
Em Cascavel, os encontros de mulheres estão sendo realizados no Hospital Regional, onde funciona um Banco de Leite, para fornecimento às mulheres que não podem amamentar. O banco foi implantado no ano passado em parceria com clubes de serviço e há um projeto para recolhimento do leite diretamente nas casas das doadoras.(Colaborou Paulo Pegoraro, de Cascavel)

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