Venda de controle é a única saída para a Adubos Trevo, diz presidente
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quinta-feira, 08 de julho de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 9 (AE) - O presidente da Adubos Trevo, Roberto Lindemann, que reassumiu o cargo ontem, enviou carta aos funcionários onde afirma que a transferência do controle acionário é "praticamente a última solução" para a preservação da companhia diante do seu alto grau de endividamento. "Existe uma negociação em andamento entre bancos credores e uma importante empresa multinacional do setor de fertilizantes", informa o comunicado, acrescentando que a controladora Trevisa "já aderiu à transação".
No início deste ano a Trevo negociou a formação de uma joint-venture com a norueguesa Norsk Hydro, mas o acordo não foi fechado. A intenção da empresa gaúcha era vender 49% de participação ao sócio e na nota em que comunicou o fracasso das negociações ela afirmou que os controladores decidiram "restringir a análise de alianças estratégicas a propostas que preservem a manutenção do controle acionário da empresa em poder dos acionistas brasileiros". Agora a situação mudou.
Lindemann voltou à presidência da Adubos Trevo após o Banco do Brasil abandonar o comitê de bancos credores que negocia a reestruturação financeira da empresa, que deve R$ 106 milhões, em valores de 1997, a 11 instituições financeiras. Pelo acordo firmado entre as partes, R$ 64,8 milhões seriam transformados em participação acionária dos bancos, que assumiriam 51% do controle da empresa mediante aumento de capital no mesmo valor, e o restante seria refinanciado a longo prazo.
O Banco do Brasil alega que deixou o comitê porque o aumento de capital não foi feito até 30 de junho, conforme previsto. Na carta enviada aos funcionários, entretanto, Lindemann afirma que a Trevo "cumpriu na íntegra seus compromissos" e que o BB decidiu "unilateralmente" abandonar o consórcio.
O presidente informou ainda que a empresa paralisou totalmente a aquisição de matérias-primas, produção e vendas. Também está negociando pessoalmente com fornecedores e "obtendo alguns dias de prazo antes que ações de execução sejam tomadas". Segundo ele, a próxima semana será "crucial". "Não podemos, neste momento, garantir o êxito do processo, porém, acreditamos firmemente na salvação da Trevo. Ademar (Fronchetti) e eu assumimos a diretoria cientes da gravidade da consequência de um processo falimentar", afirma.
O documento ressalta que a Trevo está priorizando o pagamento de salários, impostos e obrigações contratuais essenciais. "Todos os funcionários estão sendo mantidos, evitando-se a desestruturação da empresa", garante. Além disso, segundo a carta, os estoques de matérias-primas nas principais unidades estão "balanceados", permitindo a retomada imediata da produção "quando julgarmos oportuno".


