Venda de consórcios pode crescer até 15% com a inclusão de usados Marli Olmos
São Paulo, 11 (AE) - A inclusão dos carros usados nos consórcios poderá elevar as vendas do sistema entre 10% e 15%. A expectativa é do presidente da Associação Brasileira das administradoras de Consórcio (Abac), Vítor Bonvino. O setor esperava uma queda de vendas por conta da crise. Os concessionários também se animaram. "O mundo gira em função do crédito", destacou o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Hugo Maia.
Bonvino previu a migração de compradores de carros usados por meio de financiamento para o sistema de consórcio. Principalmente em razão das altas taxas de juros, que são ainda maiores para usados. Segundo o presidente da Abac, os juros para usados costumam ser entre 20% e 25% superiores às taxas dos veículos zero-quilômetro porque os bancos consideram o negócio com usado mais arriscado.
"Quem puder vai preferir esperar". Dos 2,6 milhões de consorciados existentes no País hoje, 1,125 milhão estão em grupos de veículos. O setor também se animou com a iminência de um acordo emergencial para redução dos preços dos carros em 10% em média. Isso fará com que as prestações de consórcios voltem ao que eram em dezembro, antes dos aumentos de preços.
Hugo Maia, da Fenabrave, lembrou, porém, que o reflexo dos consórcios no aumento de vendas é lento. "Mas pelo menos teremos um giro de loja", completou. Ele também acredita que alguns consumidores vão entrar nos planos de usados como forma de poupança . "Para um crédito de R$ 5 mil, basta uma prestação de R$ 90 por mês num plano de 60 meses", destacou. O consumidor usaria o crédito para reforçar suas economias na próxima troca de carro.
Já os vendedores de carros usados de São Paulo acreditam que só vão lucrar com as mudanças se a regulamentação não favorecer apenas os revendedores ligados às montadoras. "Precisaremos saber quem vai poder entregar o bem", disse o presidente da Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de São Paulo (Assovesp), George Chahade. Ele defendeu a criação de convênios dos lojistas com as administradoras de consórcios independentes.





