Venda de carros populares usados aumenta 94%
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 10 (AE) - A venda de carros populares usados em São Paulo quase dobrou em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado. Segundo a Associação dos Revendedores de Veículos do Estado de São Paulo (Assovesp), os lojistas independentes venderam no mês passado 31.420 veículos usados da versão popular, 94% mais do que em julho de 1998. A venda total de usados aumentou 48,6%. Segundo a Molicar, prestadora de serviços de vistoria para seguros, os modelos populares básicos apresentam os menores índices de depreciação.
A procura por carros usados aumentou desde que os preços dos novos foram reajustados em até 12% na véspera do acordo automotivo emergencial, há dois meses. Segundo o presidente da Assovesp, George Chahade, a venda de usados em São Paulo no mês passado só não foi maior pela falta de modelos seminovos. Os veículos com um ou dois anos de uso têm sido muito procurados em razão da diferença de preços em relação ao zero-quilômetro.
Um Gol 1.0 completo usado ano 99 custa 15,2% menos que um zero-quilômetro. Com um ano de uso o preço cai 35,3%. Nesse caso o carro 98 sai por R$ 11.330 e o novo, R$ 17.500. A diferença de um Ka com dois anos de uso chega a 37,4% na comparação com o zero. Este carro ano 98 pode ser encontrado por R$ 9.900 com todos os opcionais. Completo , recém-saído da fábrica, custa R$ 15.820.
Segundo Chahade, a falta de carros seminovos no mercado hoje - o que provoca a valorização - se deve à dificuldade do consumidor do carro com um ano de uso em trocar o veículo por um zero. "Esse consumidor não está colocando o seminovo no mercado", destaca. A Assovesp registrou no mês passado aumento de participação do financiamento nas vendas. Os negócios a prazo somaram 55%, um ponto percentual mais do que no mês anterior.
Levantamento da Molicar constatou que os veículos com maiores quedas de preços são, geralmente, os modelos nacionais de luxo e os importados de marcas coreanas e francesas. Segundo o responsável pelo setor de avaliação de veículos da Molicar, Vítor Meizikas Filho, os fatores que provocam a maior ou menor depreciação de um veículo são a liquidez na hora da revenda, a identidade com o consumidor, a expressão da marca e a qualidade do serviço pós-venda.
Segundo Meizikas, esses modelos concorrerem com modelos que possuem condições de custo/benefício semelhantes, mas com melhor assistência técnica e peças de reposição mais baratas. Entre os nacionais, os modelos que apresentam índices de depreciação mais altos são os luxuosos e os populares muito equipados.


