Venda de área do IAP é questionada
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segunda-feira, 30 de outubro de 2006
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Vereadores de oposição do município de Pontal do Paraná, litoral paranaense, denunciam a venda de um terreno do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para particulares. O local é considerado Área de Preservação Permanente (APP). Os parlamentares já estão preparando os documentos para fazer a denúncia formal do Ministério Público (MP) estadual. O terreno de 40,17 hectares na Colônia Jacarandá, de propriedade do IAP, foi vendido para o comerciante Nelson Pessuti (irmão do vice-governador licenciado Orlando Pessuti, do PMDB). De acordo com o Registro de Compra e Venda de Imóvel, do dia 10 de abril de 2003, a chácara teria sido comprada por R$ 4.671,52 -o equivalente a R$ 116,26 por hectare.
Nelson Pessuti mora em Curitiba, mas passa os finais de semana na chácara, que tem um funcionário registrado. Quatro hectares dela já foram desmembrados e pertencem a outras pessoas: três hectares são do empresário José Luiz da Silva e um hectare do empresário Aldo Passos. Aldo teria pago pela área, segundo registro em cartório, R$ 36 mil.
''A área é de preservação permanente. Como ela foi vendida para o Nelson Pessuti. E por que ele vendeu em tão pouco tempo para outras pessoas? O que me parece é que houve influência política para que o IAP vendesse a área e para que o Estado permitisse que a mesma área fosse desmembrada e vendida por valores tão maiores do que aqueles em que ela foi comprada'', disse o vereador Márcio Luiz Gonçalves (PSOL), um dos parlamentares que irá assinar a ação contra o IAP.
Gonçalves descobriu a existência da propriedade quando começou a investigar os motivos que levaram os maquinários da Prefeitura de Pontal do Paraná a prestar serviços particulares numa chácara de Matinhos. Ele chegou a requerer a abertura de uma CPI - que ainda não foi instalada oficialmente. ''O que me parece é que o IAP tomou o papel de um grileiro de terra, dando terras para os grileiros. Não tem explicação. Não se pode vender a Mata Atlântica'', denunciou.
O vereador diz temer pela sua vida. Desde que começou a fazer denúncias, ele conta que começou a receber ameaças. A Folha foi até a chácara para verificar o lote que teria sido vendido pelo IAP. No Imposto Territorial Rural (ITR) de Nelson Pessuti ao Ministério da Fazenda consta que a propriedade tem 10,4 hectares de Área de Preservação Permanente e 28,7 hectares de pastagem.
Apesar de comprar a área por pouco mais de R$ 4 mil, Nelson declarou em 2004 - no seu imposto de renda - que o valor do imóvel era de R$ 18,6 mil.


