Venda de alimentos básicos cai e dólar estimula exportação
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domingo, 07 de março de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 08 (AE) - A recessão e a disparada do dólar derrubaram as vendas até de alimentos básicos no mercado interno. De janeiro para fevereiro, o volume transacionado de feijão, o prato típico do brasileiro, caiu 20% no atacado de São Paulo. Foram cerca de 40 mil toneladas que deixaram de ser vendidas. Em contrapartida, as exportações do produto já começam a ocorrer por causa das cotações mais atraentes em dólar no exterior.
Apesar da retração nas vendas no mercado doméstico, o presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios no Estado de São Paulo (Sagasp), Algirdas Balsevicius, diz que poderá faltar feijão e arroz em meados de julho, quando, nas suas contas, os preços dessas duas commodities terão chance de até triplicar em relação às cotações atuais, impulsionados pela escassez da entressafra.
"Ninguém segura a peteca da inflação", prevê Balsevicius. Ele explica que, ao câmbio de R$ 2, o produtor consegue hoje no mercado doméstico uma remuneração de US$ 335 por tonelada para o feijão preto e de US$ 375 para o feijão carioquinha comercial. No mercado internacional, a cotação da tonelada desses dois produtos chega a US$ 650. Com isso, a tendência é de exportar um boa parcela do produto para países da América Latina que consomem o grão.
Nas contas de Balsevicius, cerca de 500 mil toneladas de feijão, de um consumo total estimados em 2,3 milhões de toneladas, deverão ser exportadas. Na sexta-feira, conta o diretor do Sagasp, Hamilton Bernal, um atacadista brasileiro fechou o primeiro contrato de exportação de feijão. Foram vendidas 200 toneladas de feijão preto para o México e a Venezuela. E existem consultas para venda de outros lotes.
Imposto - No caso do arroz, a oferta também deverá ser menor em julho e puxar os preços no mercado interno, mas por conta de um mecanismo contrário ao do feijão. Como 20% do consumo, estimado em 6 milhões de toneladas, é atendido com produto importado do Uruguai, Balsevicius prevê que o País vai deixar de comprar o cereal no exterior.
Para o milho a perspectiva é que o grão seja desviado para o mercado internacional. "A última vez que o Brasil exportou milho foi em 1966", conta o presidente do Sagasp.
Para reduzir o impacto do desabastecimento e da alta de preços, os atacadistas querem que o governo reduza para zero as alíquotas do Imposto de Importação do feijão preto e carioquinha (13%), do milho (11%) e do arroz (13%). Já foi até mandado um ofício para o ministro da Fazenda, Pedro Malan, mas o setor não teve resposta, diz Balsevicius, que descarta a possibilidade de congelamento de preços e de que o governo venha conter as exportações. Ele diz que o governo tem de voltar a ter estoque regulador para poder intervir no mercado.


