Venda de ações não feriu acordo com governo
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
por Paula Puliti 
São Paulo, 10 - O presidente da Embraer, Maurício Botelho, disse há pouco que nem o Ministério da Aeronáutica, nem o Ministério da Defesa e nem qualquer outro órgão ligado ao governo foram consultados sobre a decisão da empresa de vender 20% das ações com direito a voto para o consórcio francês liderado pela Aerospatialle-Mafra. Botelho disse que a consulta não foi feita porque a venda, concretizada em novembro, não fere o acordo de acionistas que prevê a participação de sócios estrangeiros limitada a 20% e também não fere nenhum dos pontos sobre os quais o governo tem direito a veto, em razão da detenção da golden share.
Segundo ele, são sete os pontos em que o governo pode exercer ação de veto: 1) mudança do objetivo social da empresa, 2) uso da marca, 3) transferência de tecnologia militar para terceiros, 4) criação ou alteração de poderes militares, 5) mudança do controle acionário , 6) alteração de representação no conselho de administração e 7) mudança do estatuto. Botelho atribuiu os comentários do ministro Élcio álvares e da Aeronáutica, contrários à venda de uma parcela das ações da Embraer aos franceses, a uma dose de paixão. Isso porque, explicou, a Embraer foi uma empresa do ministério da Aeronáutica e fez parte de um plano estratégico bem recebido. Seria, portanto, como se fosse uma "filha".
A Embraer, segundo Botelho, exportou até setembro o equivalente a US$ 1,2 bilhão. Para o ano 2000, a previsão é de crescimento ainda maior. Botelho disse ainda que a questão Embraer versus a canadense Bombardier, que está na OMC, "é uma luta que não vai acabar". Ele admite, no entanto, acordo para a redução de suporte.


