Rio, 12 (AE) - A participação dos sócios privados da Telemar vai ficar equalizada este mês, segundo o empresário Carlos Jereissati, do Grupo La Fonte, presidente do Conselho de Administração da holding de telefonia fixa que atende a 16 Estados. Ele informou hoje que, no dia 28, vai receber o dinheiro da venda de 3,58% dos 14,5% de participação que possui na Telemar para os outros sócios privados da holding. Com a venda, segundo Jereissati, os sócios privados ficam com participações equilibradas em 11% cada um. A transferência havia sido acertada em acordo feito ainda em fevereiro, segundo Jereissati. Ele não revelou o valor do negócio, mas se estima que fique entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões. Este dinheiro será usado para a La Fonte pagar a parte na segunda parcela de pagamento pela compra da Telemar ao governo federal, no dia 4.
A participação da La Fonte será vendida em partes iguais ao Opportunity, à GP Participações e à AG Telecom, da Andrade Gutierrez.
A GP, formada por sócios do ex-Banco Garantia, vendido ao CS First Boston Bank, detinha, em sociedade com o empresário Antônio Dias Leite, do grupo Macal, 10,17% da Telemar. Há cerca de um mês, a GP comprou a parte de Leite na sociedade. O Opportunity passa a assumir o compromisso de compra de um terço das ações com a aquisição da parte da Inepar na holding telefônica, explicou Jereissati.
A Inepar divulgou hoje comunicado oficial para anunciar a venda da participação original da Telemar, de 10,7%, ao Banco Opportunity. A transferência da participação vai ser feita pela Inepar Investimentos em Telecomunicações (IIT), empresa controlada pela Inepar, na qual o Opportunity tem 19% do capital votante, por meio da empresa Argolis Participações.
De acordo com o comunicado da Inepar, a IIT vai emitir debêntures de R$ 546 milhões para transferir o controle de sua parte na Telemar, por cuja compra o Opportunity fez uma oferta. Da quantia conseguida com a venda, R$ 256 milhões vão para o caixa da Inepar, enquanto de R$ 290 milhões serão usadas na quitação da segunda e terceira parcelas de pagamento pela Tele Norte Leste ao governo federal.
Os outros sócios da holding têm direito de preferência em comprar estes títulos. Um deles, a Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil (BB), comunicou hoje que continua a estudar se vai ou não exercer este direito. Mas alguns dos participantes da negociação da saída da Inepar da holding de telefonia afirmaram que o preço cobrado pela Inepar pela sua parte é muito alto para o fundo de pensão, que, por ter 19,9% da Telemar, estaria impedido legalmente de aumentar a participação acionária.
Depois do acerto entre os atuais sócios da Telemar, o próximo passo para a constituição final dos controladores da holding é a venda da parte de 25% que está com o BNDESpar, empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Representantes de outras empresas associadas prevêem que o assunto vai ser tratado assim que for quitada a próxima parcela de compra da empresa, no início de janeiro.
A direção do BNDESpar manifestou a intenção de que esta parte seja adquirida por uma empresa especializada na operação de telefonia.
Sócios da holding informaram que a operadora deve ser uma grande empresa estrangeira, cuja participação estaria sendo negociada pelo Opportunity. Entre duas empresas que teriam interesse em fazer parte da Telemar, estão a Deutsche Telekom, alemã, e a Britisch Telecom, da Grã-Bretanha.Por Gustavo Alves ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca acrescenta informações, com novo texto.

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