Rio, o7 (AE) - A venda da Rede Manchete para o grupo paulista TeleTV, que explorava o 0900 e presta serviço de telemarketing, deve ser concretizada até segunda-feira. A informação foi dada hoje pelo presidente do Grupo Bloch, Pedro Jack Kappeller, atual proprietário da emissora, aos funcionários que invadiram o sede da Praia do Russel, na zona sul, e pelo presidente do TeleTV, Amilcare Dallwo Jr., que está no Rio para cuidar dos últimos detalhes da negociação. "O prazo não pode passar de segunda-feira porque na semana seguinte se encerra a concessão provisória da emissora, dada pelo Ministério das Comunicações", lembrou Dallewo.
Na segunda-feira, ele e Kappeller se encontram com o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que estudará as condições de compra para dar seu aval, exigência legal para a realização do negócio. "Queremos analisar estas questões dentro do menor prazo possível, seguramente antes do dia 18", disse, em Brasília o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. O ministro afirmou que a decisão da Justiça de reconhecer o Grupo Bloch como proprietário da Manchete facilita a venda da emissora. Dallewo também se disse mais tranquilo com o desfecho e afirmou que, de sua parte, este era o único empecilho para a realização do negócio.
No entanto, o empresário Hamilton Lucas de Oliveira, do grupo Institudo Brasileiro de Formulários (IBF), que disputa a emissora desde 1992, vai recorrer, no Superior Tribunal de Justiça, da setença da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio. Segundo o advogado de Oliveira, Roberto Lonessa, mesmo que a emissora seja vendida, a disputa terá continuidade com "seus atuais proprietários ou os futuros". Invasão- Na tarde hoje, a polícia foi chamada para conter cerca de cem funcionários que invadiram a sede da emissora durante uma assembléia em que circularam informações desencontradas sobre a compra da Manchete. Um vidro da fachada foi quebrado, mas ninguém se feriu ou foi preso. Para conter os ânimos, Kappeler desceu até o hall do primeiro andar e garantiu que o negócio se realizaria ainda amanhã. "Tenho 67% das ações da empresa e estou de acordo com o negócio", disse ele. "Portanto posso garantir que ele se realiza até amanhã".
Ele esclareceu que o contrato exige o pagamento dos salários dos funcionários, que está atrasado desde outubro do ano passado. Dallewo Jr. acrescentou que os empregos da emissora serão mantidos no mesmo nível, independente de sua sede ficar no Rio ou ser transferida para São Paulo. Quanto às dívidas da emissora, calculadas em R$ 500 milhões, principalmente com a Receita Federal, a Previdência social, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e com empregados, Dallewo informou que elas passam a ser sua responsabilidade "e já começam a ser equacionadas".
Ele garantiu que, durante as negociações com o Grupo Bloch, manteve contato estreito com os sindicatos de empregados da emissora, tendo chegado a uma acordo sobre o pagamento dos salários atrasados. Concessões - Depois de consagrada a transferência direta do controle da emissora, o Ministério das Comunicações deverá conceder a renovação das concessões que pertencem hoje à família Bloch. Vencido este prazo, as concessões das cinco emissoras pertencentes à família Bloch poderá não ser mais renovada, ficando o Grupo Bloch impedido de vender a concessão. Desde 1996 estas concessões estão seguindo o processo normal de renovação, que não tem prazo para conclusão. São as emissoras de Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Belo Horizonte, cujas concessões são do Grupo Bloch.

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