Venda da Manah para a argentina Bunge deve sair em 30 dias
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 16 (AE) - A Manah, a maior companhia de fertilizantes de capital nacional do País, deve mesmo vender seu controle para o Grupo Bunge, de origem argentina. O desfecho do negócio, que não descarta a possibilidade de algum tipo de associação com o grupo argentino, pode ocorrer, no máximo, nos próximos 30 dias, de acordo com fontes próximas às negociações.
Embora a Bunge seja a mais cotada para chegar a um acordo, outros candidatos ainda não estão totalmente descartados
como a norte-americana Cargill e a sul-africana AngloAmerican, que chegou a disputar a compra da Vale do Rio Doce quando de sua privatização. Essas duas candidatas chegaram a fazer ofertas, mas a da Bunge é a mais tentadora, segundo as fontes.
No momento, disse uma fonte, a proposta da Bunge parece ser mais atraente, já que o grupo tem interesses estratégicos no Brasil. Para essa fonte, o grande "valor" da Manah se resume a alguns aspectos. Primeiro, à participação da companhia na Fertifós - holding que controla a Fosfértil, Ultrafértil e a Goiásfértil, unidades de matéria-prima que pertenciam ao governo federal e acabaram sendo privatizadas.
A Manah e a Serrana, do Grupo Bunge, têm hoje cada uma 26% dessa holding. "Se a Bunge viesse adquir a Manah, praticamente teria em mãos três unidades de produção de matéria-prima, com vantagem significativa para a companhia argentina em relação aos seus concorrentes", explicou essa fonte.
Outra vantagem da Manah em toda essa operação é que ela conta hoje com uma das logísticas mais competitivas entre as indústrias de fertilizantes do País. A empresa conta ainda com 14 fábricas espalhadas no Brasil e com presença em todos os Estados brasileiros. Além disso, disseram as fontes, a companhia produz fertilizantes para todo tipo de lavouras. "A empresa é extremamente ágil.
A Manah é conhecida, e, com preços iguais aos dos seus concorrentes, o agricultor acaba optando por sua marca", acrescentou a fonte. Para eles, a Manah tem ainda uma equipe de agrônomos que presta serviços altamente competitivos em relação ao seus concorrentes. "Por isso o custo administrativo da empresa é baixo em relação ao significativo faturamento de quase US$ 500 milhões por ano", acrescentou uma das fontes próximas às negociações.
A venda do controle da Manah decorre, basicamente, da desvalorização do real, em janeiro do ano passado, que provocou o alto endividamento da companhia e de outras empresas do setor, por serem altamente dependentes de matéria-prima importada.
"A indústria local de matéria-prima atende apenas 50% da demanda das fabricantes de fertilizantes, que acabam recorrendo ao mercado internacional", disse uma dessas fontes. Além do encarecimento da matéria-prima, a desvalorização cambial provocou também um alto índice de inadimplência no setor, já que os contratos de venda antecipada de adubo para os agricultores estavam atrelados ao dólar.


