Venda da Manah não deve concentrar mercado, dizem analistas
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 16 (AE) - A eventual aquisição da Manah pelo Grupo Bunge, de origem argentina, que já está presente no mercado de fertilizantes no Brasil por meio da Serrana, dificilmente provocaria uma investigação do Cade (Conselho de Defesa Econômica) por possível concentração de mercado. Essa é a opinião de alguns analistas do mercado de fertilizantes.
Até o final do ano passado, a Manah detinha entre 13% e 14% do "market share" brasileiro. A Serrana, da Bunge, estava com 15%. Com a aquisição da Manah, o grupo argentino passaria a deter um mercado ligeiramente inferior a 30%. "Isso não é um absurdo, em termos de concentração", disse um dos analistas consultados pela AGÊNCIA ESTADO.
O concorrente mais próximo da Bunge continuaria sendo a Cargill, que, por meio da Solorrico, acrescentou mais 8% a seu 1% de "market share" de fertilizantes. "É bom lembrar que a Cargill não comprou a Solorrico para ficar apenas com 10% do mercado. A multinacional adquiriu essa empresa para ampliar o seu mercado", lembrou o analista.
Caso a operação da Manah com a Bunge seja concretizada, o mercado de fertilizantes terá dois concorrentes de peso, a própria Bunge e a Cargill. As duas acabarão ficando, a princípio
com 40% do mercado. Os restantes 60% estão pulverizados entre mais de 100 pequenas indústrias, entre elas a Fortisa e a Fortibrás, que têm, cada uma, cerca de 6% do "market share" de fertilizantes.
"Será uma disputa de duas gigantes, que provavelmente acabarão deteriorando as suas margens de lucro ao reduzir preços", disse um desses analistas. A concorrência entre duas grandes do setor traria vantagens para o agricultor, em termos de preço e, provavelmente, financiamento, cujos prazos poderiam acabar sendo estendidos. Por isso, disse um desses analistas, "não acredito que, dessa operação, decorra uma investigação de concentração de mercado por parte do Cade".
Para esse analista, dificilmente a Cargill pediria uma investigação. Muito menos os clientes. "Nenhum agricultor vai querer briga com a empresa que os financia", resumiu o analista. "Pode até dar Cade, mas, a priori, não haveria razão alguma para isso", acrescentou o analista. No ano passado, o mercado de fertilizantes faturou US$ 2,5 bilhões, com a comercialização de 13,6 milhões de toneladas.


