Sorocaba, SP, 27 (AE) - Prefeitos de municípios banhados pelos lagos hidrelétricos do Rio Tietê estão preocupados com a possibilidade de sofrer restrições no uso das águas, margens e eclusas, após a privatização da Companhia de Energia Elétrica Tietê (Cesp Tietê). Os 68 prefeitos que integram o Consórcio Intermunicipal dos Vales dos Rios Tietê e Paraná pretendem discutir o assunto com a americana AES, empresa vencedora da licitação realizada ontem. "Tão logo seja homologado o grupo vencedor, vamos marcar uma audiência para tentar estabelecer uma parceria", disse o secretário-executivo da entidade, José Augusto Rota.
Segundo ele, os prefeitos discutiram a privatização e enviaram um documento ao governador Mário Covas alertando para o possível risco de colapso na Hidrovia Tietê-Paraná caso a privatização implique cobrança de tarifas para o uso das eclusas
por exemplo. "Qualquer custo adicional terá reflexo no preço final da mercadoria ou do serviço", alertou o empresário Edson Palmesan, dono da Navegação Fluvial Médio Tietê, de Barra Bonita.
A empresa trabalha há 40 anos com barcos turísticos no Tietê e tem na passagem pela eclusa de Barra Bonita um dos principais atrativos. Palmesan, que é também presidente do Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial do Estado de São Paulo (Sindasp), disse que as áreas das margens dos lagos hidrelétricos ficarão sob a gestão do Estado, por meio do Departamento Hidroviário da Secretaria dos Transportes.
As normas da privatização garantiram também o uso das eclusas e das travessias com balsas. "Nesse ponto, o governo atendeu às nossas reivindicações, mas, pelo que li no edital, não está eliminada a possibilidade de cobrança de taxas para eclusagem e uso de equipamentos já instalados", afirmou. Outra preocupação é com a manutenção do leito navegável, trabalho que era feito pela Cesp. "Esperamos que a empresa leve em conta a importância do transporte hidroviário para o Estado."
O prefeito de Conchas, José Miguel Caram (PSDB), também está preocupado com a navegação. O terminal de cargas recém-instalado no município custou cerca de US$ 7 milhões. Além do investimento privado, a Cesp investiu US$ 1 milhão na construção do atracadouro e o governo estadual, em parceria com a prefeitura, aplicou igual valor na pavimentação da rodovia de acesso. "Temos esperança de que a empresa não coloque empecilhos à navegação e ao desenvolvimento de atividades econômicas nas margens do rio", disse o secretário municipal de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Antônio José Néder Mureb.
O prefeito de Barra Bonita, José Reginato Dias (PSDB), acha que o futuro da cidade está no Tietê. O uso turístico do rio é a segunda força econômica do município, grande produtor de açúcar e álcool. Três das principais empresas de navegação fluvial do Estado estão instaladas ali. Hotéis, pousadas e restaurantes localizados nas margens do Tietê dão empregos para os 35 mil habitantes.

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