Venda da Deten tem de ser fechada até o fim de 99, diz sócio
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 09 (AE) - "A venda da Deten terá que ser definida até o final deste ano. Caso contrário, não venderemos mais", afirmou o presidente da empresa, Sérgio Pedreira de Cerqueira. Segundo ele, faltam pequenos detalhes a serem definidos entre a Deten (que vende 71% das ações ordinárias) e o grupo espanhol Petresa. "Mas essas negociações, que começaram no início deste ano, já estão desgastantes demais", justifica ele. O valor de venda será aproximado do patrimônio líquido da empresa registrado em dezembro de 1998: US$ 118,024 milhões.
As partes do controle da Deten que estão à venda são a da UNA (35,63%) e a da Unipar (35,63%). A Deten possui o monopólio brasileiro e sul-americano da produção de linear altil-benzeno (LAB), cujo insumo é a normal parafina fornecida pela Petrobras. O LAB é a matéria-prima dos detergentes e sabões biodegradáveis. Por isso, uma das condições impostas pelo Petresa é que a Petrobras Química (Petroquisa) não venda a sua parte (28,57% do controle) no negócio, já que é ela quem garante o fornecimento de normal parafina à Deten.
Antes da Petresa demonstrar interesse, o grupo alemão Condea fez proposta para a aquisição da Deten. "E o que esse grupo ofereceu era melhor do que a proposta da Petresa", compara Sérgio Pedreira. A negociação não foi adiante devido à desistência da Condea, quando surgiu a concorrente Petresa. As duas são as maiores produtoras de LAB do mundo. Mas, o único jeito de atuarem diretamente na América do Sul é por meio da Deten.
Quando a produção da Deten foi iniciada, há 20 anos, a capacidade total era de 35 mil toneladas (t) anuais. Conforme a demanda foi aumentando no continente, houve a implantação de mais uma unidade de 35 mil t/ano. Hoje, a indústria tem capacidade para a produção de 170 mil t/ano.
Para sustentar esse crescimento, que acompanha o aumento do consumo a partir do plano real, a Deten está importando, há 4 ou 5 anos, 35% da normal parafina que consome - pois a Petrobras não tem o material para fornecer. Do total da produção, que ocupa 100% da capacidade instalada, 60% são vendidos à Gessy Lever e o restante dividido entre a Procter&Gamble e outras indústrias do segmento.
A oferta da Petresa pelo controle da Deten já está fechada. Como disse o presidente da Deten, porém, se o negócio não sair antes de 2000, também não sairá depois. A venda da Deten não tem qualquer influência sobre a negociação em consórcio do controle acionário da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene), venda prevista para o primeiro semestre do próximo ano.


