São Paulo, 24 (AE)- Os acionistas de Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF) podem, a partir de hoje, aceitar ou não a oferta pública de aquisição de ações (OPA) lançada no mês passado pela espanhola Repsol sobre 89,01% das ações da petrolífera argentina. A oferta de compra feita pela Repsol, por US$ 13,438 bi, visa fazer da companhia espanhola a única dona da YPF e a maior da América Latina. O preço da OPA é de US$ 44,78 por ação. Para financiar a operação, a Repsol recorreu a linhas de crédito de US$ 15,5 bilhões com taxas de juros variáveis concedidas por um consórcio de bancos, composto pelos bancos Bilbao Vizcaya (BBV), Goldman Sachs, La Caixa, Merril Lynch, Citi Group e UBS.
Paralelamente a esse financiamento, a Repsol colocou em andamento um plano para refinanciar a sua dívida. A companhia espanhola prevê emitir ações e títulos conversíveis, ou até mesmo instrumentos similares, no montante de US$ 6 bilhões aproximadamente. "Será a mãe de todas as ampliações de capital, jamais vista na Espanha", afirmam os analistas.
Se a oferta pela YPF for concretizada até 23 de junho, prazo para os acionistas aderirem à oferta pública de aquisição de ações, a Repsol passará a ser a 5ª maior companhia do mundo por resultado operacional, a 7ª por capacidade de refino de petróleo, a 8ª oitavo por reservas de cru e a 9ª por produção de petróleo e gás.
O único empecilho para transformar-se nisso é, no momento, a aprovação da lei antimonopólio pela Câmara de Deputados argentina, na qual foi introduzida uma cláusula que estabelece que aquisições como a da YPF por parte da Repsol terão de ser submetidas à aprovação de um tribunal especial. A Repsol, entretanto, já anunciou que venderá ativos não estratégicos da YPF uma vez concluída a OPA.
Paradoxalmente, a Argentina precisa dessa venda, no momento em que passa por mais uma crise econômica. Embora os recursos dessa operação tenham destino certo - o bolso dos acionistas, principalmente Fundos de Pensão norte-americanos -, a venda parece estratégica para o governo argentino, que ainda mantém 5,3% de participação na YPF.
Com a concretização dessa operação, o Brasil se transforma no principal candidato para os primeiros passos da nova YPF. Não só pela número de postos de serviço que poderão ser instalados no País, mas também pelo potencial de mercado de gás natural. Em quatro anos, com os investimentos previstos, analistas do setor acreditam que só São Paulo consumirá a mesma quantidade de gás que toda a Argentina neste momento. Chile e Uruguai são outros mercados potenciais importantes de gás natural para a YPF.
Outro país que passará a ocupar uma posição de destaque se a oferta pública for concluída com êxito é a Bolívia, onde a nova YPF, já em mãos da Repsol, passaria a controlar 68% da produção de petróleo e 54% da de gás natural.

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