Venda a prazo reforça reaquecimento econômico
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domingo, 16 de maio de 1999
Por Márcia de Chiara e Vera Dantas 
São Paulo, 17 (AE) - Inadimplência em queda, renegociação de dívidas em alta e vendas do comércio em expansão na primeira quinzena deste mês confirmam que a economia começa a recuperar-se de forma consistente, puxada pelas vendas a prazo. Essa virada no ritmo de atividade do varejo já reflete o recuo dos juros, a inflação menor que a esperada e o restabelecimento da confiança do consumidor.
Há analistas que consideram que os indicadores do comércio registrados na primeira quinzena de maio estariam mostrando que a economia está saindo da recessão, com possibilidade de voltar a crescer no segundo semestre deste ano.
Depois de três meses consecutivos de alta, a inadimplência do consumidor nas compras a prazo, registrada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), caiu 9,9% entre os dias 1º e 15 de maio em relação a igual período do ano passado. Na comparação com abril, o atraso superior a 30 dias foi 25% menor.
"O resultado surpreendeu-nos agradavelmente porque esperávamos um empate, o que já seria positivo", diz o economista da ACSP, Emílio Alfieri.
Renegociação - O aumento de 9,2% na renegociação de carnês atrasados na primeira quinzena de maio, em relação a igual período de 1998, reafirma o quadro positivo. Na comparação com os primeiros 15 dias de abril, o crescimento da renegociação de dívidas foi ainda maior, de 16,1%.
Também o movimento das vendas a prazo, medido pelo número de consultas do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), aumentou 2,3% na primeira quinzena do mês, na comparação com igual período de maio de 1998, depois de ter fechado abril com queda de 13,4% em relação a igual período do ano passado.
Na comparação com abril, o crescimento foi mais expressivo: 43,7%. Alfieri pondera, no entanto, que a reação no crediário é expressiva, mas a base de comparação (abril) foi influenciada pelo menor movimento dos feriados da Semana Santa.
"Os três dados - inadimplência, renegociação de dívidas e vendas a prazo - são consistentes e apontam para a recuperação do crédito", afirma Alfieri, para quem a economia já estaria saindo da recessão e deve voltar a crescer no terceiro trimestre deste ano.
"O crediário está puxando a retomada", diz o economista. Isso demonstra boas perspectivas no curto prazo, pois o consumidor só volta para o crediário quando está mais confiante quanto à manutenção do seu emprego.
Prazos - A reação do crediário animou os lojistas, que já estudam a possibilidade de voltar a esticar os prazos de pagamento nos próximos dias e cortar os juros.
"O interesse pelo crédito mais longo voltou a crescer e estamos estudando a possibilidade de ampliá-lo," afirma diretor da Lojas Cem, Valdemir Colleone. A idéia é alongar o prazo do financiamento em até 18 meses. Hoje a rede oferece planos de até quatro pagamentos, sem juros, e de 5 a 13 vezes, com juros que variam de 2,9% a 6,5% ao mês.
A rede Riachuelo planeja reduzir os juros amanhã (18). Até hoje a empresa cobrava 4,9% ao mês, em até sete vezes. "O movimento melhorou e a renegociação das dívidas está crescendo"
afirma o gerente-geral de Crédito e Cobrança da Riachuelo, José Antonio Rodrigues. "A nossa inadimplência já caiu 20% de janeiro até agora."
O movimento das vendas na Lojas Cem manteve-se estável mesmo após o Dia das Mães e fechou a primeira quinzena empatado com o mesmo período do ano passado. Em relação a abril, a rede registra 35% de crescimento.
Segundo Colleone, o aumento sazonal de maio costuma ser de 20% a 25% em relação a abril. "Esse crescimento de 35% indica que começa a haver uma tendência de recuperação nas vendas." O fato também de o resultado de maio estar empatado com maio de 98 é um bom indicador porque mostra uma reversão de queda, diz Colleone.
Nos shoppings, o frio e o crediário estão sustentando as vendas mesmo após o Dia das Mães, a melhor data para o comércio no primeiro semestre. Na primeira quinzena de maio, as vendas das lojas de shoppings estão 5% acima das registradas em igual período de 1998, segundo a Associação dos Lojistas de Shoppings (Alshop).
À vista - Apesar de a venda a prazo registrar maior índice de crescimento, os negócio à vista também estão reagindo. Entre os dias 1.º e 15 de maio, as consultas ao Telecheque aumentaram 24,7% na comparação com abril, mas foram 10,7% menores que igual período de 98.
A comparação anual de vendas à vista, apesar de negativa este mês, também revela uma melhora, já que a redução verificada em abril, em relação ao mesmo mês de 98, foi de 14,9% - maior que a apurada agora, na comparação com maio do ano passado. "O número da primeira quinzena de maio é menos negativo", diz Alfieri.
Concordatas - Não foram apenas os dados relativos ao consumidor que melhoraram. As empresas também estão conseguindo honrar os compromissos em dia este mês. As cinco concordatas requeridas na primeira quinzena de maio estão 16,7% abaixo do total registrado no mesmo período de 1998.
"Esse número da primeira quinzena é baixíssimo", diz Alfieri, ressaltando que , quando a situação é ruim o total de pedidos na quinzena chega a superar 15 requerimentos.


