Vencimento de opções e depoimentos devem agitar mercado
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domingo, 18 de abril de 1999
por Angela Bittencourt e Equipe da AE-Broadcast 
São Paulo, 19 (AE) - A semana começa a todo vapor, com a manhã tomada pelo vencimento de opções nas principais bolsas brasileiras, o presidente do Banco Marka Salvatore Cacciola prestando depoimento pela manhã à Polícia Federal no Rio de janeiro e a CPI do Sistema Financeiro recebendo hoje à tarde, para depoimento, o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes. Amanhã, presta depoimento à CPI, o ex-diretor de Fiscalização Cláudio Mauch. Ainda não está certa a trégua esperada para quarta-feira - Dia de Tiradentes - porque representantes da CPI cogitam convocar Cacciola a depor em Brasília no feriado. O grande evento efetivamente operacional da semana é o vencimento de opções hoje. Este é o segundo vencimento de 1999 e a expectativa é de que o exercício comprometa volume bem superior ao verificado em fevereiro, quando o exercício de opções totalizou R$ 614 milhões, elevando o giro total da Bolsa de Valores de São Paulo a R$ 1,290 bilhão.
Nos últimos dois meses, porém, a Bovespa sustentou sua alta e o giro médio diário cresceu muito, passando de aproximadamente R$ 442 milhões, para quase R$ 800 milhões ao dia. Paralelamente ao vencimento de opções e, ainda, à expectativa com o lançamento de bônus da República no exterior o mercado promete atenção ao depoimento de Chico Lopes, com a esperança de que o economista dê alguma indicação sobre um motivo que justifique sua fulminante passagem pelo comando do BC entre janeiro e fevereiro. O ex-presidente do BC teve a incumbência de mudar a política cambial, o apoio do Presidente da República, teve sua indicação aprovada pelo Senado, mas sequer chegou a ser empossado pelo seu antecessor, Gustavo Franco, permanecendo cerca de três semanas no cargo.
Não há dúvida de que os desdobramentos da CPI têm uma abrangência ainda incalculável, mas a revista Veja, que levantou a versão de que o Marka seria uma das instituições que supostamente recebia informações privilegiadas de alto funcionário do BC contra pagamento de propina, apresentou na edição desta semana o nome das fontes inicialmente consultadas, e dois dos três personagens citados (Leon Sayeg e Omar Jahic) são apresentados como investidores do fundo Marka-Nikko e teriam levado um prejuízo de R$ 200 mil com a mudança do regime cambial no País. Esta revelação em nada descredencia as apurações da comissão do Senado, mas possivelmente exigirá de seus membros grande atenção e cautela adicional com os dados coletados nas dezenas de depoimentos agendados, pela disposição compreensível dos investidores que tiveram perdas despejar críticas e fazer acusações aos administrad ores de recursos, sobretudo, de aplicações de risco onde as perdas tendem a ser alavancadas, assim como os ganhos.
Deste episódio, pelo menos uma consequência já está explícita: a necessidade de o Banco Central e a BM&F redefinirem procedimentos que envolvem alavancagem, garantias e, também, a parâmetros para a participação do BC com derivativos, além de explicitar o papel que o Banco do Brasil - por meio da BB DTVM - tem nessas transações. Por enquanto, a participação oficial nos negócios pode não preocupar o mercado, dada a determinação do FMI que proíbe o BC de atuar no mercado futuro de câmbio. Mas, isto não significa que as intervenções não serão necessárias mais à frente e, portanto, as regras devem ser conhecidas. No mínimo, para que os investidores conheçam o cacife do adversário e calculem o seu risco.


