Brasília, 01 (AE) - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Veloso, disse hoje que não mais responderá aos ataques do presidente do Congresso Nacional, senador Antônio Carlos Magalhães, por causa da cobrança da contribuição previdenciária dos inativos. "Daqui para frente, vou deixar que esse senhor fale sozinho", avisou o ministro Carlos Veloso, em nota oficial distribuída à imprensa. "Tenho mais o que fazer."
Nos últimos dias, Veloso e Antônio Carlos vêm trocando farpas pela imprensa por causa de divergências sobre a decisão do STF em relação à cobrança de contribuição dos inativos. O presidente do Congresso disse que o tribunal estava sendo "burocrático" ao tomar uma decisão (que vetou o desconto dos inativos) "indecente" como "legal". Veloso reagiu alegando que o senador não poderia interferir em questões jurídicas e informou que o STF poderia discutir a legalidade da nova emenda.

Na semana passada, o senador declarou que Veloso não deveria ficar emitindo opiniões pelos jornais e, mais uma vez, o ministro respondeu, dizendo que falava, "porque tem boca". O presidente do STF não se intimidou e afirmou que o tribunal não tem condução política e que considerava "lamentável" o ministro Veloso "ter boca".
Hoje, em nota oficial, Carlos Veloso comunicou que não iria mais polemizar, atendendo a conselho que tem recebido "de colegas e de inúmeras pessoas de bem". "Esse senhor, eu já disse mais de uma vez, não tem condições para julgar meus atos"
disse o presidente do Supremo. "Não me interessa o que ele pensa a meu respeito", prosseguiu o ministro, acrescentando que só lhe interessa "o julgamento dos homens de bem, e nada mais".
O presidente do Senado não foi localizado hoje para comentar as novas declarações de Veloso.
O deputado Waldir Pires (PT-BA) também condenou hoje a campanha do senador Antônio Carlos Magalhães para impedir que os ministros do Supremo falem à imprensa. "A guarda da Constituição, que é o propósito mais relevante do Supremo, não é tarefa de sigilo de decisões de alcova do Judiciário", declarou Waldir Pires, acentuando que o senador revela, nos ataques ao STF, que "nunca teve preocupação com o estado de direito" porque "sempre serviu a constituições arbitrárias".
Segundo o deputado petista a emenda dos inativos é "arbitrária" e "viola direitos adquiridos". Comparando o Executivo com o Judiciário, Waldir Pires afirmou que o Supremo "assume a defesa do Estado democrático quando esclarece que as garantias sociais e o funcionamento dos poderes têm que ser realizados de acordo com a Constituição".

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