Brasília, 27 (AE) - O novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Velloso, tomou posse hoje afirmando que não é apenas o Judiciário que está em crise, em referência aos resultados da CPI do Senado. "A economia tem vivido momentos de crise, a Previdência tem a sua crise, o mesmo ocorre com a universidade; o Legislativo e o Executivo não fogem à regra", disse Velloso. O ministro defendeu a magistratura, afirmando que os juízes são aprovados em concursos "duríssimos" e os maus vêm sendo punidos pelo próprio Judiciário.
A troca de comando no STF foi comemorada pela maioria dos juízes, incluindo os ministros do Supremo. No início da noite, a maior entidade da classe, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ofereceram um coquetel no Clube da Aeronáutica, em Brasília, para festejar a posse.
O antecessor de Velloso, Celso de Mello, não foi homenageado com festas por seus colegas quando assumiu e quando deixou a presidência do STF. Proveniente do Ministério Público de São Paulo, ele não é visto como defensor dos interesses da categoria. Mello não criticou a instalação da CPI, defendeu o impeachment de juízes e um controle do Judiciário sem hegemonia da magistratura.
Essa falta de sintonia entre Mello e seus colegas ficou aparente no discurso do ministro Octávio Gallotti, escolhido pelos integrantes do STF para homenagear Velloso. Gallotti elogiou o ex-presidente, mas deixou claro que as opiniões de Mello não eram um consenso no tribunal. Na sua fala, o novo presidente, que é juiz há 32 anos, garantiu que será "o intérprete da vontade da Casa".
Vice -Em dois anos, o novo vice do STF, Marco Aurélio Mello, assumirá a presidência do Supremo. Primo de Fernando Collor, Marco Aurélio provocou um mal-estar no cerimonial do Planalto e do Supremo ao decidir convidar o ex-presidente para a solenidade. Depois de confirmar na semana passada, Collor desistiu de aparecer no STF menos de 24 horas antes da cerimônia.
Marco Aurélio também convidou o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio de Janeiro José Maria de Mello Porto, que está sendo investigado pela CPI do Senado. Em sua saudação ao novo presidente do Supremo, o presidente nacional da OAB, Reginaldo de Castro, disse que Marco Aurélio tem forte personalidade e "é natural que pague algumas vezes o ônus da incompreensão".
Entre as mil pessoas que assistiram à cerimônia de cerca de 1h15 na sede do STF estavam os presidentes da República, Fernando Henrique Cardoso, e do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães. Adversário político do presidente, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, também esteve na posse, mas não se encontrou com Fernando Henrique.

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