Velloso prevê mudanças na votação do teto salarial
Velloso prevê mudanças na votação do teto salarial14/Mar, 18:41 Por Evaldo Magalhães Belo Horizonte, 14 (AE) - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, disse hoje, em Belo Horizonte, que, apesar da perspectiva de votação, na próxima semana, do teto salarial do funcionalismo - acertado hoje entre os representantes dos três poderes -, não se pode dar como certa a aprovação da matéria sem alterações. "A palavra final agora será do Congresso", disse. Segundo Velloso, o Legislativo ainda deverá analisar duas propostas. Uma é a do teto de R$ 11.500,00, que abriu brechas para incorporação de gratificações e aposentadorias. A outra é a emenda que estabelece salário máximo de R$ 12.720,00. Nela, estão incluídos R$ 1.920,00 extras recebidos por apenas três ministros do STF por trabalhos prestados à Justiça Eleitoral. Velloso participou da reunião do dia 2, em Brasília, entre Executivo, Legislativo e Judiciário, em que ficou definido o teto de R$ 11.500,00. Embora tenha assinado o texto do acordo, redigido, segundo ele, pelo ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, e pelo secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, o ministro disse que não influiu nas discussões. "O que eu disse foi muito pouco", afirmou. "Encontrei um texto pronto, elaborado pelo Executivo e pelo Congresso", afirmou. Depois do encontro, Velloso, embora defendendo o acordo nunca escondeu que a preferência dele seria pelo teto de R$ 12.720,00. "Muitas vezes, não se tem o que se quer e sim o que se pode", justificou. Em passagem por Belo Horizonte, Velloso asegurou que a magistratura brasileira não se sente constrangida por estar reivindicando a fixação do teto no mesmo momento em que se discute o reajuste do salário mínimo. "Não posso fazer uma interligação dessas duas questões, são independentes e uma não tem nada a ver com a outra", disse. "Infelizmente, coincidiu a discussão de ambas." Além disso, de acordo com ele, a carreira de juiz é "regulamentada, de difícil ingresso e com concursos duríssimos", o que justificaria vencimentos maiores para a categoria. Em relação ao salário mínimo, o ministro pregou a necessidade de que o País busque "uma melhor distribuição de renda". "Com a palavra, os técnicos, os economistas e aqueles que têm a chave do cofre", ressaltou.





