São Paulo, 11 (AE) - O governo pode ter dificuldades adicionais para alcançar a meta fiscal deste ano. O alerta é do especialista em contas públicas Raul Velloso. Até agora, ele estava convencido de que a meta de superávit primário acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para 1999 - 3% do Produto Interno Bruto (PIB) - seria cumprida e os problemas estavam colocados para 2000. "Acho que já perdi um degrau nas minhas projeções", afirmou.
"Não estou dizendo que a meta não será alcançada, mas talvez o cumprimento exija medida adicionais já este ano", observou, indicando a possibilidade de cortes extraordinários nas despesas, o que precisaria ser feito - em função da estrutura das contas públicas - nos gastos com saúde e educação. Uma alternativa é jogar parte das despesas para o próximo ano, disse.
A mudança de posição de Velloso não decorreu dos números da arrecadação federal divulgados hoje, considerados "bons" por ele. O problema, diz, começou a aparecer mais claramente na semana passada, quando o governo reduziu as projeções para a arrecadação com a chamada conta petróleo de R$ 6 bilhões para R$ 3,2 bilhões.
A diferença de quase R$ 3 bilhões, lembra, consome quase todo ganho extra de cerca de R$ 4 bilhões que o governo está tendo em 99 com a Cofins e o pagamentos de tributos que antes estavam sendo discutidos na Justiça. "Há perdas de todos os lados e é preciso fazer um balanço entre elas e os ganhos de receita", pondera Velloso. "E ainda há as dúvidas quanto as alíquotas dos servidores e também com relação à CPMF", acrescenta. Ele acredita que a cobrança da CPMF será aprovada.
O ex-ministro Mailson da Nóbrega acha que a meta de 2000 precisará de novas medidas. Ele acha que o governo pode não reduzir a CPMF para 0,30% (mantendo-a em 0,38% ou até aumentando-a para 0,50%) e também pode deixar a alíquota máxima de IR em 27,5%.

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