Brasília, 29 (AE) - As negociações para a fixação do teto salarial do funcionalismo público provocaram hoje um novo desentendimento entre o Executivo e o Judiciário. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Velloso, disse que está cansado de ver as declarações desmentidas pelo porta-voz da Presidência da República, Georges Lamazire.
"Se eu conversar qualquer outra coisa com o presidente Fernando Henrique Cardoso e o porta-voz colocar em dúvida, vou agir de outra forma", ameaçou Velloso. O presidente do Supremo afirmou que Fernando Henrique tem de tomar alguma providência para evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer.
No caso mais recente, ocorrido ontem (28), depois de Velloso comunicar aos juízes que o governo estudaria uma solução emergencial para a categoria, o porta-voz afirmou que Fernando Henrique não tinha falado em solução emergencial. Antes disso, Velloso tinha dito que o presidente da República concordava com o teto em R$ 12.720,00, mas o porta-voz negou. Naquele episódio, o presidente do Supremo afirmou ter telefonado para Fernando Henrique e para o secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, reclamando. "É muito feio discutir e, depois, dizer que não foi discutido", afirmou Velloso. "Já estou perdendo a paciência." Uma nova informação divulgada hoje por Velloso pode provocar mais desentendimentos entre os poderes. Ele disse que, segundo Ferreira, o teto salarial em R$ 12.720,00 mil traria para os cofres públicos uma economia de R$ 150 milhões. Recentemente, o Palácio do Planalto divulgou um estudo no qual se constatou que a fixação do maior salário do funcionalismo nesse patamar provocaria um aumento anual de R$ 224 milhões nos gastos com a folha de pessoal.
Velloso voltou a dizer hoje que, durante jantar ocorrido na segunda-feira (27), no Palácio da Alvorada, houve uma convergência de pensamento no sentido de restabelecer-se um teto salarial para cada um dos poderes. Segundo ele, esse teto poderia incluir vantagens pessoais.
No caso dos ministros do Supremo, os vencimentos somados às vantagens podem chegar a R$ 12.720,00 mil.
A fixação de um único teto para todo o funcionalismo público foi prevista na reforma administrativa. Apesar de ter passado mais de um ano, o princípio não entrou em vigor justamente por causa da falta de consenso dos chefes dos três poderes e da Câmara sobre qual seria o valor desse teto.

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