Brasília, 02 (AE) - Em cumprimento à promessa feita na véspera, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Velloso, não respondeu às insinuações feitas hoje pelo presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães, de que o chefe do Judiciário faz nepotismo. Mas, numa nota oficial na qual manifesta apoio a Velloso, o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Luiz Fernando de Carvalho, afirma que ACM "não deve desconhecer que filho na carreira do pai é motivo de orgulho, e não de vergonha".
Assim como ACM, que teve um filho atuante na mesma carreira, o deputado Luís Eduardo Magalhães, morto em abril do ano passado, Velloso é pai de quatro bacharéis em direito. Carlos Mário da Silva Velloso Filho é advogado e secretário-geral da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). As filhas Rita de Cássia Velloso Rocha e Rosa Maria Velloso da Costa e Silva são funcionárias concursadas da Justiça do Trabalho. A última filha do presidente do STF, Ana Flávia Penna Velloso, era assessora no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas deixou o cargo há mais de dois anos ao se mudar para Paris, na França, onde se casou com Francisco Rezek, ex-ministro do STF e que atualmente exerce a função de juiz da Corte Internacional de Haia.
O presidente da AMB começa a nota afirmando que "falsa vestal não pode se dar ao luxo de falar em mácula sem lembrar o estigma da corda em casa de enforcado". Num ataque direto a ACM
Luiz Fernando de Carvalho afirma que "quem cevou prestígio político e opulência no regime militar não tem idoneidade para formular desafios morais". Ele diz que "a ganância de poder e a pose de dono da verdade têm levado o presidente do Senado a ataques de verborragia" e que "a ofensa a juízes e advogados é própria dos que desprezam o Direito e a Justiça, que não são repastos da política".
Os desentendimentos entre ACM e Velloso começaram depois que o STF suspendeu a cobrança da contribuição previdenciária dos servidores aposentados e pensionistas e o aumento da alíquota dos funcionários que ganham mais do que R$ 1,2 mil. A decisão representou uma perda anual de arrecadação de cerca de R$ 2,4 bilhões. "A República merece respeito, está cansada da política do espetáculo", afirma Carvalho antes de concluir a nota dizendo que somente em clima de "harmonia entre os Poderes" é possível diminuir a violência, desejada pela população, assim como "trabalho e paz".

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