Brasília, 05 (AE) - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, disse hoje que sabia que a decisão de suspender a cobrança previdenciária dos servidores aposentados e dos pensionistas e o aumento da alíquota para os funcionários que ganham mais do que R$ 1.200,00 iria dificultar a concessão de reajuste aos juízes. "Se eu fosse agir porcamente, politicamente em termos porcos, eu não chamaria (o processo sobre a contribuição previdenciária)", disse.
O ministro confirmou que o STF deve decidir amanhã (06) um pedido de liminar com o qual o governo pretende garantir a cobrança previdenciária. Esse pedido foi feito antes de o Supremo dar a decisão que representou para o governo uma perda de arrecadação da ordem de R$ 2,4 bilhões. A expectativa no STF é de que o tribunal confirme a decisão da semana passada.
A decisão de suspender a contribuição previdenciária dificultou a negociação entre o STF e o governo para reajustar os salários dos juízes. Dias antes do julgamento sobre a contribuição previdenciária, Velloso revelou que o governo tinha se comprometido a estudar uma solução emergencial para os juízes. Mas autoridades federais sugerem que os estudos foram suspensos juntamente com a cobrança da contribuição para a Previdência.
Hoje, Velloso voltou a dizer que a fixação de um único teto salarial para o funcionalismo público é de difícil adoção, uma vez que é necessário um prévio consenso entre os chefes dos três poderes e da Câmara. O presidente do STF também afirmou que não considera razoável que parlamentares que acumulam aposentadorias legítimas deixem de as receber.

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