Silvana Porto
De Paranavaí
Especial para a Folha
Mesmo virando peças de museu, as máquinas de escrever ainda são utilizadas por empresas de Paranavaí na avaliação da capacidade de candidatos a emprego. Até as pessoas mais velhas, que passaram pelo período de transição entre as máquinas manuais e os microcomputadores, sentem dificuldades na hora dos testes.
A dona de casa Marlene Silvestre Silva Giovaneli, 39 anos, decidiu procurar um emprego depois de 14 anos fora do mercado de trabalho.
Na busca de uma ocupação como escriturária, o requisito básico era a datilografia. ‘‘Nos testes, a máquina é toda desregulada e o candidato tem que preparar dentro do padrão de uso antes de iniciar a prova’’, revela.
Marlene concluiu no ano passado o curso de datilografia e informática na Estação do Ofício de Paranavaí. ‘‘A datilografia me ajudou muito’’, diz.
A mesma experiência teve a dona de casa Neusa de Oliveira Mora, 34 anos, que saiu em busca de um trabalho depois de 6 anos ‘‘parada’’.
O primeiro passo foi procurar um curso de digitação. ‘‘Enfrentei dificuldades porque no curso de digitação não aprende a conhecer as teclas como na datilografia’’, diz.
Fundamental A saída foi cursar também datilografia. Para a instrutora Roseli Teotônio Debarba, que há 20 anos ensina datilografia - há dois anos e meio na Estação do Ofício -, a datilografia é fundamental para quem vai trabalhar em computador.
‘‘A prática na máquina de escrever torna a pessoa mais hábil no teclado, pois habitua a pessoa a usar todos os dedos’’, afirma.
Ela destaca que algumas atividades ainda são exclusivas da máquina de escrever, como o preenchimento de cheques avulsos, envelopes e recibos. ‘‘Hoje na Estação do Ofício só faz curso de informática quem cursar primeiro datilografia’’, alerta Roseli.
Atualmente, a estação oferece seis turmas com 102 alunos, e outros 50 aguardam na fila por uma vaga. Para ingressar no curso o aluno tem que comprovar renda familiar de até três salários mínimos, ter mais de 14 anos e 5ª série concluída.

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