Velejador neozelandês é assassinado no Amapá
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sexta-feira, 07 de dezembro de 2001
Mariana Pereira<bR>Agência Estado - De Brasília 
O ambientalista e velejador neozelandês, Peter Blake, foi assassinado anteontem, entre 21h30 e 22 horas, em seu barco atracado em Macapá, Amapá. De acordo com informações da Polícia Federal, quatro indivíduos entraram na embarcação de Blake, que estava em uma expedição pela Amazônia, quando os tripulantes jantavam. Considerado um dos melhores velejadores do mundo, Blake reagiu ao assalto e disparou tiros de rifle calibre 308, atingindo um assaltante na mão. Ele foi morto com dois tiros de pistola calibre 765, nas costas.
Os bandidos, conhecidos como ratos d'água, levaram um bote, um motor, quatro relógios avaliados em R$ 2 mil cada, duas câmeras fotográficas Cannon e lentes de 200 ml. ''A imagem do Brasil ficou mais uma vez arranhada com o episódio'', disse um porta-voz da PF.
Peter Blake era considerado por especialistas um dos melhores velejadores do mundo, mas também era conhecido por sua luta pela ecologia.
Nascido em Auckland (Nova Zelândia), no dia 1º de outubro de 1948, Blake tinha 53 anos. Era casado e tinha um filho e uma filha. Em 1995, foi condecorado sir pela rainha Elizabeth 2, da Inglaterra, pelos serviços prestados ao iatismo.
O currículo de vitórias do neozelandês é longo. Em 1994, a bordo do veleiro Enza, conseguiu fazer a volta ao mundo, sem escalas, obtendo o troféu Julio Verne. Ele completou a prova em 74 dias, 22 horas, 17 minutos e 22 segundos. Ninguém conseguiu superar seu recorde.
Em 1989, Blake venceu a Whitbread Round the World Race, uma das mais importantes competições de vela do mundo. Em 1995, Peter Blake chefiou a equipe Team New Zealand, que venceu a America's Cup, principal competição de vela do mundo, criada em 1851.
Na época, era a segunda vez que o troféu deixava os Estados Unidos - em 1983, o time Austrália II havia vencido a embarcação norte-americana.
No ano passado, o Team New Zealand repetiu a dose com o veleiro Black Magic, vencendo o Luna Rossa, da equipe italiana Prada, em uma disputa na Nova Zelândia. Na época, fazia parte da Prada o brasileiro Torben Grael, que tem quatro medalhas olímpicas - um ouro, uma prata e dois bronzes.
Ele havia sido nomeado o sucessor do oceanógrafo francês Jacques Cousteau, morto em 1997, como capitão do Calypso 2, barco de exploração oceanográfica.


