Veleiros começam a chegar a Salvador
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Julio Cruz Neto 
São Paulo, 10 (AE) - Uma baiana vestida a caráter, duas meninas levando brindes (bonés e camisetas) e um garçom com um bandeja de frutas e caipirinha para todos os tripulantes: assim estão sendo recebidos os veleiros que chegam a Salvador, ponto final da terceira perna da Regata do Descobrimento.
Com exceção do trimarã Bahia, que havia chegado na última quarta-feira, os outros barcos começaram a chegar nesta segunda-feira a Salvador. Atracaram o Hozhoni, o Ave Maria e o Mariposa - este último, foi o primeiro entre os que disputam efetivamente a regata. Os outros são Marujo, Viva e Papa Léguas.
O Mariposa também foi o primeiro nas duas pernas anteriores, mas isso não quer dizer nada, pois em ambas ficou em terceiro lugar no tempo corrigido - o Marujo venceu as duas. A exemplo do Mariposa, o Viva também está prestes a atracar na noite desta segunda-feira. O Marujo deve chegar nesta terça-feira e o Papa Léguas ficou para trás.
A tripulação do Papa Léguas, que queria de qualquer maneira vencer essa terceira perna, até desistiu da disputa. Tanto que, nem se preocupou em pedir as posições dos concorrentes nesta segunda-feira. Já se conformou em encarar a Regata do Descobrimento apenas como uma viagem. "O importante é a participação", disse o tripulante Rogério Augusto Alves. "Vamos comemorar todos juntos em Salvador. Estamos orgulhosos por termos feito tudo à vela." Rogério conta que o ímpeto de ser o melhor entre Mindelo e Salvador foi um golpe decisivo na região equatorial, quando os adversários escolheram um meridiano melhor para cruzar a faixa de calmaria. O Papa Léguas fez o percurso mais longo e pegou menos vento.
"Nossa estratégia era velejar mais a leste para pegar menos calmaria", diz ele. "Mas o Viva e o Mariposa cruzaram com 1,5 a 2 graus de diferença na longitude, pegaram vento e conseguiram abrir mais de 100 milhas (185 quilômetros) de vantagem, enquanto nós ficamos cerca de 15 horas sem vento. Deu uma desanimada e de lá para cá viemos mais light, mais despreocupados." Além disso, lembra Rogério, problemas com as velas atrapalharam no desempenho do Papa Léguas: "Tivemos que costurar o balão várias vezes e no final, achamos melhor baixar para poupar. Ficamos só com a genoa e a mestra e perdemos rendimento." Para piorar, uma rede de pesca enroscou na hélice e no leme há três dias, o que fez o barco ficar parado durante a noite. Foi preciso esperar o amanhecer para mergulhar e soltá-lo.
Além dos próprios problemas, os tripulantes do Papa Léguas também ficaram desapontados com alguns concorrentes, que nem sempre transmitiram suas posições via rádio. "O Papa Léguas sempre se fez presente na frequência", enfatiza Rogério, "até porque isso é norma da regata, os outros têm o direito de saber onde você está. O Mariposa falhou algumas vezes, mas acho que por problema no rádio. Já o Marujo sumiu por dias e dias."
Há alguns dias, enquanto coletava as posições dos veleiros, o navio português Sagres perguntou ao Mariposa como estava o vento na sua região. E um dos tripulantes respondeu que essa pergunta deveria ser feita aos veleiros que fazem apenas a viagem, não a eles, que disputam a regata. Na ocasião, entrou alguém do Papa Léguas na frequência para, cheio de ironia, dizer que estava preocupado com o Mariposa, que há dois dias não dava notícia.
Além do Papa Léguas, outro barco brasileiro que definitivamente não foi acompanhado pela sorte é o Fia. O comandante André Homem de Mello teve uma série de problemas com um parafuso do motor: "Troquei quatro vezes e sempre voltou a quebrar." E acabou parando em Fernando de Noronha para resolver o problema e seguir viagem. Parou também o Barconauta, que vinha logo atrás quando o problema apareceu e foi eleito para salvá-lo.


