Mindelo, Cabo Verde, 25 (AE) - Penúltimo colocado na primeira perna e último na segunda. Apesar de nunca ser um dos primeiros a chegar, o veleiro português Marujo lidera com folga a classificação da Regata do Descobrimento - isso graças ao rating
que lhe dá uma grande vantagem no tempo corrigido. O repórter da Agência Estado acompanha a regata a bordo do Cisne Branco, da Marinha, que chegou hoje pela manhã a Mindelo, em Cabo Verde - com patrocínio do Banco Bandeirantes.
Dos quatro barcos que efetivamente disputam a regata, o Marujo foi o último a completar as 1.100 milhas (2.037 quilômetros) entre Funchal e Mindelo, fazendo o percurso em seis dias, 7h12min12s. Mas no tempo corrigido, ficou com três dias, 14h24min46s. Somando um ponto da primeira com um da segunda, o Marujo tem apenas dois.
Em segundo na classificação geral, estão empatados com seis pontos o brasileiro Viva e o português Mariposa. Quarto colocado na primeira perna (quatro pontos), o Viva foi o segundo nessa última (mais dois), com tempo corrigido de três dias, 20h01min37s. Já o Mariposa foi terceiro em ambas (três pontos em cada), tendo chegado a Mindelo em três dias, 21h13min21s (corrigido).
Com 11 pontos (sete da primeira perna, quando usou o motor, e quatro da segunda), o Papa Léguas segura a lanterna. Embora tenha sido o segundo veleiro a chegar a Cabo Verde, seu tempo corrigido foi de três dias, 23h44min8s - o pior de todos.
O Papa Léguas havia sido, em Funchal, o pivô de uma grande controvérsia, acusando os adversários de terem usado os motores às escondidas. Para evitar novas dúvidas, os motores foram lacrados antes da largada. E os lacres chegaram intactos a Mindelo, como informou o Comandante Alfredo Messeder, diretor da Federação Portuguesa de Vela e organizador da prova.
Messeder, que é medidor-chefe da Federação, fez questão de mostrar que a medição dos barcos é feita detalhadamente para que se corrija o tempo da maneira certa. Para atender aos critérios da ORC (Offshore Racing Council), são medidos, segundo ele, casco, mastro, velas e hélice. A grande vantagem do Marujo é ter o menor casco: 36 pés (11m), contra 46 (14m) do Mariposa, 48 (14 6m) do Viva e 50 (15,2m) do Papa Léguas.
Essa vantagem gerou descontentamento de alguns concorrentes, o que não parece preocupar o comandante do Marujo, Gabriel Basílio: "Nosso rating já foi revisto várias vezes." Basílio aproveita para dizer que, em protesto contra as acusações de que o Marujo teria chegado ao fim da primeira perna motorando, o motor vai ficar lacrado até o veleiro voltar à Ilha da Madeira, seu lugar de origem. Na chegada a Mindelo, todos tiveram o lacre retirado para que o motor possa ser usado no porto - menos o Marujo.
O sistema da ORC, explica o comandante Messeder, é menos exigente que o do IMS (International Measurement System): "Por exemplo, o IMS exige que eu suba no mastro para medi-lo. No ORC, posso medir do convés." Messeder diz ter feito pessoalmente as medições do Viva. Quanto ao Papa Léguas, usou-se a medição já existente, feita no Brasil - assim como para os portugueses Mariposa e Marujo, já medidos anteriormente.