São Paulo, 14 (AE) - O diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Irineu Tadeu Velasco, disse hoje que o laudo emitido pelo Instituto Médico-Legal (IML) sobre a morte do calouro Edison Tsung Chi Hsueh não leva necessariamente à conclusão de que houve assassinato. "O laudo concluiu que ele morreu afogado, sem nenhum vestígio de agressão antes do afogamento."
A promotora Eliana Passarelli, que tem acompanhado as investigações da polícia e participado dos depoimentos dos estudantes calouros e veteranos, ao saber da afirmação de Velasco, explicou que o diretor da faculdade "não deve ter lido o laudo direito." Segundo ela, suas afirmações de que se tratou de um assassinato e não "apenas de um afogamento" são baseadas "no mesmo laudo que o senhor Velasco afirma não apontar um crime."
Eliana contou que participaram da necrópsia no Instituto Médico-Legal (IML) médicos importantes em patologia, antropologia e medicina legal e foi assinado por Carlos Delmonte
Flávio Tadeu Bragagnolo e Cláudio Furtado Verdadeiro.
Pelo laudo, no exame externo do corpo, os legistas constataram "escoriações difusas em regiões da mamária direita, mão direita, coxa esquerda e perna esquerda." Encontraram ainda "equimoses violáceas, circulares em flanco esquerdo e contorno antero-lateral, terço proximal de coxa esquerda, além de vestígios de tintas, diversas cores, difusos, interessando todos os segmentos corpóreos."
A promotora disse não ter dúvida de que se tratou de assassinato. Hoje parte da relação dos números dos telefones dos estudantes solicitados com a quebra do sigilo foi entregue pela Telefônica.
Queixas - O presidente da comissão de sindicância da faculdade, professor Milton de Arruda Martins, disse que as cartas de alunos entregues à direção dois dias depois da morte continham algumas queixas com relação ao trote na festa. "Foram descritas agressões verbais e outras coisas normais em trotes, embora nós estejamos desaprovando essas atitudes."
Martins negou que houvesse relatos de alunos arrastados para a piscina ou mantidos à força dentro dela. Segundo o presidente da comissão, as cartas anônimas descreviam o uso de bebidas alcoólicas e de lança-perfume. "É prematuro relacionar essas queixas à morte do calouro."
A comissão de sindicância, de acordo com seu presidente, já ouviu cinco alunos que nadaram na piscina do clube no dia da festa. Segundo Martins, o "banho coletivo" ocorreu por volta das 14 horas. "Os alunos só lembram de ter visto Hsueh entre 12 e 13 horas." Depois, com o início da chuva, todos teriam ido ao churrasco.
Segundo Martins, uma hipótese "forte" é a de que houve um acidente: Hsueh caiu na piscina, afogou-se e ninguém conseguiu ver seu corpo porque a água estava suja de tinta usada para pintar calouros. Ele afirma que, por volta de 18 horas, alguns alunos voltaram à piscina, mas não viram nada de anormal. De acordo com Martins, seriam necessários pelo menos três dias para que o corpo pudesse vir à superfície da água boiando.

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