Londrina – Quem passou ontem à tarde pela pista de caminhada do Lago Igapó I pôde perceber uma movimentação pouco usual. Em cima de um enorme laço vermelho, símbolo do combate à Aids, jovens acenderam velas em alusão às vítimas da doença.
O Candle Light Memorial Day fez parte de uma ação mundial promovida pela Federação Internacional de Estudantes de Medicina (Ifmsa), composta por mais de 100 países, e chamou a atenção para a falta de prevenção das pessoas durante as relações sexuais. O não uso de preservativos continua sendo a principal forma de contágio da Aids no mundo.
Os estudantes abordavam pessoas que passavam pelo local e discutiam a questão, principalmente com o público jovem. "Esta é apenas mais uma ação desenvolvida pela Ifmsa e relacionada à saúde pública. A intenção é agir em áreas sociais, discutir situações de forma igualitária com os jovens. Hoje o assunto é doenças sexualmente transmissíveis, então vamos conversar com adolescentes já que não existe uma disciplina regular sobre isso na grade curricular de ensino", explicou um dos coordenadores do Ifmsa Brazil, Cesar Cartello Branco Lopes.
"As pessoas, de um modo geral, pensam de forma banal porque o tratamento disponível hoje é avançado e garante uma grande sobrevida ao infectado. Por isso muitos não se cuidam e acabam espalhando a doença entre a comunidade. Elas não pensam que o coquetel traz diversos efeitos colaterais ao corpo e no alto grau de letalidade da doença", salientou o universitário Kauê Furlan.
Antes de discutirem a doença com a população, os jovens tiveram contato com a parte teórica e conheceram pacientes. "Conhecemos a realidade, como é o dia a dia, o tratamento de uma pessoa infectada pelo vírus HIV. Isso traz uma bagagem maior para a gente tratar a questão com os jovens", disse a universitária Sara Souza.
A Secretaria de Saúde registrou no primeiro trimestre deste ano 21 casos positivos de aids em Londrina, quase 30% de todos os 71 casos computados em 2012. 2.074 pessoas fazem tratamento contínuo junto ao município. "O Ministério da Saúde fez um levantamento mostrando que, de cada caso diagnosticado, há outras cinco outras pessoas infectadas. Então, nosso universo é ainda maior", afirmou a gerente do programa municipal DST/Aids, Regina Cortez. Ano passado, sete pessoas morreram por Aids em Londrina.
Levantamento municipal aponta que a síndrome está mais presente entre a população com até 40 anos. "60% dos infectados estão na idade adulta reprodutiva e produtiva. Entendemos que é um trabalhador, consciente dos seus atos, mas descuidado", afirmou.

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