Um levantamento obtido pela FOLHA pela Lei de Acesso à Informação (LAI) com a Secretaria Estadual de Segurança Pública do Paraná mostra que as forças policiais apreenderam 1.170 armas de fogo em Londrina nos últimos cinco anos (2015-2019). O período com mais apreensões foi 2016 (278 retiradas de circulação), seguido de 2017 (263 armas), 258 em 2015, 189 em 2018 e 182 em 2019. No Brasil, é preciso obedecer uma série de critérios para quem quiser adquirir uma arma de uso permitido, como ter idade mínima de 25 anos, comprovar que está apto psicologicamente para o manuseio, possui curso de tiro com instrutor credenciado pela Polícia Federal e várias outras regras.

Imagem ilustrativa da imagem Veja quais são as armas mais apreendidas em Londrina nos últimos cinco anos
| Foto: Arquivo FOLHA

Entre as mais de mil armas localizadas pela polícia em Londrina, o revólver é o tipo que mais foi apreendido: 571 em cinco anos. Em seguida, aparecem as pistolas (352), espingardas (143), garruchas (40), carabinas (24), metralhadoras (20), garruchões (7), fuzis (5), escopetas (4), rifles (3) e pistolete (1). Capitão do 5º Batalhão da Polícia Militar e com um currículo recheado de cursos de técnicas de tiro feitos no Brasil e no exterior, Marcelo Israel da Costa Vieira explicou que o ex-presidente Getúlio Vargas baixou um decreto na década de 30 permitindo apenas os calibres 38 e 765, que depois foi flexibilizado para o 380. "Com essa determinação, quem desejasse uma arma diferente precisava comprar de fora", afirmou.

Segundo o especialista, a pistola, que figura no segundo lugar de apreensões do balanço da FOLHA, "começou mais a circular no País a partir da década de 90, quando a Taurus, que é a fabricante, passou a trazer esse tipo de armamento". O oficial detalhou porque é mais difícil apreender armas mais raras, como metralhadoras, fuzis e escopetas. "Na maioria dos casos, os bandidos utilizam os tipos mais comuns, como revólveres e pistolas, para cometer os assaltos. Como há uma quantidade maior circulando, mais fácil deles conseguirem. Em outro ponto, muitas dessas apreensões são referentes a materiais que vêm de outros países, principalmente do Paraguai, e são considerados ilegais", observou.

De acordo com o capitão, os criminosos também acabam fabricando esses armamentos diferenciados. "A metralhadora caseira, por exemplo, tem um aspecto estético feio, mas é extretamamente letal". Em junho de 2019, 11 pessoas foram presas em Ibiporã, Jataizinho, Cornélio Procópio e Londrina suspeitas de integrar uma quadrilha que fabricava submetralhadoras artesanais. A operação foi coordenada pelo Ministério Público e Polícia Militar.

Prisões

Nos últimos cinco anos, 532 pessoas foram detidas em Londrina por posse ou porte ilegal de arma de fogo, acessório ou munição de uso permitido ou restrito. No Paraná, 17.828 foram para a delegacia pelos mesmos crimes. Os dados da Secretaria de Segurança Pública abrangem as prisões feitas por forças policiais, cumprimentos de mandados, apreensões de adolescentes e flagrantes.

Segundo o Estatuto do Desarmamento, sancionado em 2003, a posse prevê pena de um a três anos, portanto, cabe fiança a quem for preso. Já para o porte, a pena é maior: de dois a quatro anos, delito que é inafiançável.

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