Brasília, 23 (AE) - O ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, demonstrou hoje desinteresse em mobilizar a bancada do governo para aprovar a proposta do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de criação de um imposto para erradicar a pobreza.
"Dependendo do projeto, poderá entrar na agenda (do segundo semestre, no Congresso)", disse Veiga, depois de participar, no Palácio da Alvorada, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, da primeira reunião de articulação do governo pós-reforma ministerial. De acordo com Veiga, o governo vai exigir maior lealdade dos partidos da base aliada daqui para a frente.
O ministro das Comunicações, que evitou comentar o projeto de ACM, acentuou que a questão social sempre foi uma prioridade para o governo federal e que ela estará sempre presente. Ele ressalvou, no entanto, que, até agora, não foi apresentada nenhuma proposta concreta de novo imposto pelo presidente do Congresso e que só depois que isso acontecer, dependendo do teor, é se poderá dizer se o projeto poderá ser encampado pelo governo. Ele insistiu: "Esse governo tem como ponto fundamental a questão social e tudo o que faz tem como objetivo a questão social."
A primeira reunião de articulação, de acordo com Veiga, foi para discutir os principais assuntos da retomada do Congresso em agosto. "Isso passa, certamente, pela Lei de Responsabilidade Fiscal e reforma tributária, Lei Postal e outras medidas que estão em estudo no Congresso", declarou o ministro, ao lembrar que, próxima semana, uma nova reunião será realizada para aprofundar providências a serem tomadas em relação à votação das reformas.
Para o ministro das Comuniçaões, o governo considera ter uma sólida base de apoio e o que quer é agir articuladamente com os líderes para a lealdade ser cada vez maior. Veiga referia-se principalmente ao PMDB.
O ministro não acredita que o Planalto vá enfrentar novos problemas com a base de apoio por ter substituído o senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), na liderança do governo no Senado, pelo senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). "Todos os líderes de todos os partidos que apóiam o governo vão ser sempre ouvidos pelo governo", explicou o ministro das Comunicações e articulador político do governo. "A operação política do governo será feita por ministros, líderes, presidentes das duas Casas, e, antes da reabertura dos trabalhos, serão realizadas várias reuniões, inclusive com os líderes partidários", prosseguiu. Ele completou: "O presidente deseja a maior eficiência possível nesta interlocução com o Congresso." Sobre a proposta do governo de Lei de Responsabilidade Fiscal que se encontra no Congresso e tem recebido críticas do relator, deputado Pedro Novais (PMDB-MA), Veiga informou que vai o procurar para conhecer as ponderações dele em relação ao projeto.

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