Brasília, 28 (AE) - O ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, decidiu politizar a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e indicou hoje o nome do ex-deputado federal Saulo Coelho (PSDB-MG) para o cargo de ouvidor do órgão. Ex-presidente da empresa Telecomunicações de Minas Gerais (Telemig), no governo de Eduardo Azeredo (PSDB), Coelho não conseguiu se reeleger para a Câmara dos Deputados nas últimas eleições. Segundo Veiga, o presidente Fernando Henrique Cardoso concordou com a nomeação.
O cargo de ouvidor da agência está previsto na Lei Geral das Telecomunicações, sancionada em julho de 1997, e, até o momento, permanecia vazio. O ouvidor terá acesso a todos os assuntos da agência, até mesmo com apoio administrativo, e deverá produzir a cada seis meses, pelo menos, relatórios críticos sobre a atuação da agência. O mandato é de dois anos, com direito a recondução.
Na prática, Veiga colocou na Anatel alguém de confiança que terá condições de requisitar processos em andamento e deverá participar de todas as reuniões do Conselho Diretor, até mesmo as secretas. Coelho será um político em meio aos cinco diretores da agência, todos técnicos, com origem no antigo Sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás).
"É político por vocação e tradição familiar, neto do senador Levindo Coelho, filho de Ozanan Coelho, governador de Minas Gerais", diz o currículo, distribuído pelo Ministério das Comunicações.
Atualmente, Coelho é diretor de apoio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). "O ouvidor tem uma função permanente, vai ajudar a ligação da sociedade com a Anatel e vice-versa e isso é importante", afirmou Veiga. "A agência tem como objetivo fundamental preservar os interesses do usuário e ele vai ajudar". O ministro das Comunicações e articulador político do governo e o presidente da Anatel, Renato Guerreiro (indicado pelo ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta, desafeto de Veiga), tiveram atritos nos últimos meses, em razão dos problemas que ocorreram na telefonia em São Paulo e divergências sobre as atribuições da agência A nomeação de Coelho coincide com a crise nas ligações interurbanas ocorridas no início do mês, que ajudou a desgastar a imagem do governo federal perante a opinião pública. "A sensibilidade política e social que ele tem contribui", disse Veiga, referindo-se ao fato de ele ser um político, com uma perspectiva menos técnica. "O que influenciou sua escolha foi a competência pessoal", ressaltou o ministro das Comunicações.

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