Veiga diz que Malan não irá depor à CPI dos Bancos
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 28 (AE) - O ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, afirmou hoje que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, não irá participar da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos. "Até porque o Malan não pode esclarecer as dúvidas da CPI, já que não tinha nada haver com as decisões mais específicas da então diretoria do Banco Central", justificou Pimenta.
No Planalto, a análise que se faz é que a presença de Malan no Senado causaria um grande desgaste político, atingindo bastante a imagem do governo. "Como colocar o responsável da moeda e um dos principais ministros do governo sendo interrogado como um criminoso durante sete horas e com transmissão ao vivo para todo o Brasil?", questionou um assessor do Planalto.
Por isso, a reação de Veiga foi uma resposta às declarações do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que, ontem (27), havia cobrado explicações do governo, inclusive com a presença de Malan ou do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, no plenário da CPI.
Para Veiga, o governo não irá prejudicar os trabalhos de investigação do Senado. "A decisão é de facilitar a CPI", avisou o ministro tucano. Em compensação, a nova estratégia do Planalto é isolar a figura do ex-presidente do BC Francisco Lopes. "Chico escolheu o caminho dele ao optar por uma ação pessoal", ponderou Veiga. A intenção do Planalto é valorizar o depoimento do ex-diretor de Fiscalização do BC Cláudio Mauch, que terminou na madrugada de hoje.
Com isso, o governo espera tranquilizar os ânimos do senadores que ainda estavam descontentes com as explicações do governo. "As explicações que o Chico Lopes poderia dar sobre a operação de socorro aos Bancos Marka e FonteCindam foram prestadas pelo Mauch", argumentou o articulador político.
Segundo ele, o outro grande temor do governo - que estava apreensivo com uma reação negativa do mercado depois da postura de Lopes - acabou não sendo concretizado. "A repercussão internacional deste fato foi baixíssima, o que demonstra uma maturidade da nossa economia", avaliou Veiga.
O criador da CPI e presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), começou a moderar o tom do discurso. "Por enquanto, não há nada que justifique a presença do ministro da Fazenda", comentou Barbalho, que, mesmo assim, não escondia a insatisfação com o depoimento do Mauch.
A mesma opinião é compartilhada pelo presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). "É uma perda de tempo trazer Malan, até porque ele já esteve aqui centenas de vezes", argumentou o cacique pefelista. No PSDB a avaliação é a mesma.
"A presença de Malan só se justifica se aparecer algo muito forte que comprometa ele e o governo", observou o senador tucano Lúcio Alcântara (CE).
Hoje, até ACM amenizou o tom das declarações do dia anterior em relação à convocação de Malan. "O presidente (Fernando Henrique) nunca me disse que não queria que o Malan viesse, mas também não disse que era para ele prestar depoimento", comentou ACM. "Se for desnecessário, ele não precisa fazer isso", avaliou o senador baiano. Ele voltou a insistir na necessidade de um representante do governo na CPI para esclarecer as dúvidas dos parlamentares. "E o presidente do BC (Armínio Fraga) já se colocou à disposição para esclarecer todos os problemas", comentou.
A presença de Malan na CPI já não é prioridade até mesmo para a oposição. "Por que criar um confronto político sobre a presença ou não do Malan?", questionava o senador Roberto Freire (PPS-PE). "O importante é investigar os fatos e quando for necessário, aí sim, se discute a convocação", avaliou. Para o deputado Marcelo Déda (PT-SE), a decisão de não chamar Pedro Malan na CPI é uma prova de que as investigações serão limitadas. "Já encontraram Chico Lopes para ser o bode expiatório desta CPI, o que demonstra que não haverá mais interesse no aprofundamento das investigações", disparou o ex-líder petista.


