Rio, 24 (AE) - O ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, criticou hoje duramente o PT e o presidente de honra do partido, Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o ministro, o partido está "desqualificando-se" politicamente como oposição e "perdendo sua identidade".
Veiga referia-se a aliança dos petistas com o deputado federal Ronaldo Caiado (PFL-GO), ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR), em favor da renegociação da dívida dos produtores rurais, e à manifestação organizada pelos partidos de oposição e centrais sindicais contra o governo federal, marcada para quinta-feira (26), em Brasília, que, para o ministro, "contesta a democracia".
"Eu acho necessário que, numa democracia, deva existir uma oposição firme e respeitada, mas o PT está se desgastando terrivelmente com esse procedimento terrivelmente desqualificado", afirmou Viega, após palestra a estagiários da Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio.
"Estou muito preocupado com o PT porque ele se lançou numa vertente muito perigosa, deixando de lado as posições corretas e programáticas que sempre defendeu para se lançar numa aventura que eu não sei como se sairá sem sofrer um profundo desgaste político", completou.
Veiga lembrou que o PT sempre foi um partido que seguiu as posições político-ideológicas e citou como exemplo a recusa de Lula em pedir o apoio do deputado federal Ulisses Guimarães (PMDB), na campanha presidencial de 1989. Lula disputava o segundo turno contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello, na época do PRN, na primeira eleição presidencial direta do País depois de 29 anos de regime militar. Guimarães havia sido derrotado no primeiro turno.
Ainda na ofensiva contra o PT, o ministro das Comunicações citou o recente elogio de Lula ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, como mais um exemplo de "falta de direção" partidária da legenda. "Há meses, dei uma entrevista fazendo esse comentário e o Lula reagiu de forma violenta, com agressões pessoais, e acabou por não responder ao que eu havia dito", disse. "O PT não encontrou o seu eixo: ora se alia a Chávez, ora ao Caiado (Ronaldo Caiado, deputado do PFL de Goiás) ou ora prega ruptura democrática." O ministro afirmou que só fará uma análise mais detalhada sobre a Marcha dos Cem Mil na sexta-feira (27), mas lembrou que a decisão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) de não assinar o documento dos organizadores da manifestação, pregando a renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso, mostra que o movimento "não foi bem idealizado".
"Fazer o que estão fazendo é um equívoco porque estão contestando um governo democrático com atitudes não-democráticas", afirmou. "Podem até criticar o presidente, dizer que ele acertou ou errou numa determinada atitude administrativa ou política, mas ninguém nega o seu senso democrático."
Veiga disse estar "absolutamente convencido" de que a popularidade de Fernando Henrique perante a população brasileira será recuperada "nos próximos meses", a partir da retomada do crescimento do País. "Se quisesse, o presidente tomava uma ou duas medidas e, em 30 dias, estava com a popularidade na estratosfera, mas ele prefere sofrer com a impopularidade com a convicção de que o que é certo fazer, ele está fazendo, e de que
ao fim, tudo será compreendido", completou.
Sobre a crítica do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), de que o Planalto está sem sintonia com o Brasil real
o ministro foi conciliador. "O deputado Michel Temer tem lá suas convicções, é um aliado do governo, e tem direito de ter uma interpretação sobre o momento em que vivemos, mas não interpreto a declaração dele como sendo uma crítica, apenas como uma opinião", afirmou.

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