Brasília, 21 (AE) - O ministro das Comunicações, e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, criticou hoje os parlamentares que estão deixando o PSDB, numa reação direta a mais uma baixa no partido - a saída do senador capixaba Paulo Hartung - e às filiações de ex-tucanos ao PPS, legenda do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes. "É um equívoco deixar um partido de dimensão do PSDB para ir para um partido pequeno", disse Veiga. "Os que estão saindo perderam a visão da política no longo prazo", completou. Hartung, que oficializou hoje o desligamento do PSDB, analisa a possibilidade de ingressar no PPS, PMDB ou PTB.
Além de Hartung, mais três parlamentares se desligaram do PSDB, os deputados Emerson Kapaz (SP), Luciano Castro (RR) e Luís Eduardo (RJ).
Descontente com a situação, um dirigente tucano fez críticas a Kapaz, que, ontem (20), ao assinar a ficha de filiação ao PPS, atacou o governo. "É muito feio e oportunista criticar agora o PSDB", disse um interlocutor do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Quer dizer que ele (Kapaz) se elege pela legenda e depois sai atirando?", questionou. "Por que ele não fez as críticas antes?" Ainda na Câmara, está para deixar o partido Ayrton Xerez (RJ). Xerez e Castro estudam a eventualidade de entrar no PPS. Dirigentes tucanos analisam que o movimento de saída de parlamentares do PSDB reflete, na maioria das vezes, questões locais.
O desligamento de Hartung, segundo a direção do PSDB, é uma consequência natural do embate entre o senador e o governador do Espírito Santo, o tucano José Ignácio Ferreira. Desde a eleição de 1998, quando Ferreira apoiou o então candidato ao Senado Élcio álvares (PFL), atual ministro da Defesa, deixando de lado a campanha de Hartung para a mesma vaga
a divisão interna no PSDB capixaba vem aumentando. "Estava difícil convencer Hartung a ficar no PSDB", afirmou esse mesmo interlocutor. A gota dágua, segundo o senador do Espírito Santo, foi a denúncia de que Ferreira teria pedido um empréstimo de R$ 2,6 milhões para cobrir gastos de campanha numa negociação com empreiteiras paulistas. "Ao invés de o governador tentar explicar, ele começou a me atacar", afirmou Hartung.
A direção do partido torce para que Hartung, que é muito ligado ao ex-ministro das Comunicações e vice-presidente nacional do PSDB para Assuntos de Política Econômica, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e ao ministro da Saúde, José Serra, ingresse no PMDB porque o partido faz parte da base aliada e o estrago, portanto, seria menor. "É melhor para o governo que o senador fique num partido da base", declarou o interlocutor. Na avaliação do tucanato, o ingresso de Hartung no PPS serviria para fortalecer Ciro Gomes, nome que vem conquistando índices favoráveis nas pesquisas para as eleições presidenciais de 2002, em razão do aumento da impopularidade de Fernando Henrique. O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), que conversou hoje com Hartung, disse que as articulações para o ingresso no PPS "caminhavam a passos largos".

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